10.12.18

por favor, não toque no meu diário.

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Nunca soube se te incomodava o meu saltar de refeição porque gostavas de mim ou porque eras chato. Estou muito mais convencida com a segunda hipótese. Afinal, tu és chato. Agora, uma fotografia do céu durante o pôr do sol da janela da tua cozinha apenas para deixar em nota que espero (e espero mesmo) que o que venha a seguir (para ti) seja tão fantástico que nunca tenhas tempo de olhar para trás e perceber que me perdeste por tão pouco, pelos segundos que te demorava a sair da tua bolha e dizer: também tenho saudades tuas.


He had absolutely no clue as to what had happened to her. There was no enquiry he could make. She might have been vaporised, she might have committed suicide, she might have been transferred to other end of oceania: worst and likeliest of all, she might simply have changed her mind and decided to avoid him. No livro 1894 de George Orwell. E eu sou mesmo capaz de ter soltado uma pequena gargalhada ao mesmo tempo que achava desastroso que o amor seja igual em todo o lado. Não importa o espaço, as pessoas, a natureza, a distância, o sexo, a idade, o ano, a história, a situação, o absurdo, o complexo, o contexto. Amor é amor. Algo que nos enche de adrenalina e nos fode de tanta emoção. Ah, ri-me!

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Tenho acordado em dias bons & dias maus. Não sei o que os faz serem assim. Não sei porque me sinto mais ou menos feliz. Mais ou menos motivada, inspirada, pronta, eu. Assim que abro os olhos eu já consigo saber se vai ser dos bons ou maus. Percebi que não vale a pena combater o negativo, afinal eu sei toda a letra da música de Ornatos Violeta e é assim que tem que ser, também.


Celebrei os dezoito anos com uma semana de férias no Algarve. Se a memória não me falha choveu os dias todos. Desenhava muito e trazia na mala um conjunto de bilhetinhos do meu namorado para ler todos os dias. No dia dos dezoito o pequeno Tomás fez questão que houvesse um bolo para se cantar os parabéns. Se a memória não me falha foi uma daquelas tipo torta do supermercado. Que eu adoro. Assim à distância tudo soa bonito. Acho que foi mesmo, se a memória não me falha.



Tu és o meu Sol. Tu és o meu Sol. Tu. És. O. Meu. Sol. Sim, tu és o meu Sol tem que ser uma das frases feitas mais absurda e largamente usada por gentes de todas as idades. Até o meu querido Chet Faker o canta (e tu sabes que o levo a sério). Mas o Sol só não nos mata porque se encontra a uma distância de segurança. Sim, distância-de-segurança. Então... É isso que queremos? Distância e Segurança? O que procuramos no amor? Que nos aqueça mas sem que se faça sentir a chama? Olha não! Bato o pé bem forte quanto a isto. Quando eu sentir amor (quando eu voltar a sentir amor) eu quero sentir até ao fim, até arder e queimar, até reduzir a cinzas o toque anterior. Quero sentir aquele sentir de deixar marcas para sempre. Bem visíveis e palpáveis. Que se saiba que senti. Não quero mais amor-sol, quero amor-chama. Para o frio, amigo, já tenho um par de luvas.

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Este fim-de-semana voltei a fotografar. A fotografar a cidade, o espaço, as pessoas, o azul, o amarelo, o verde, o cor-de-rosa e todas as cores. Em todas as fotografias enterro e guardo memórias de emoções, conversas e gargalhadas. Acrescento mais e mais boas memórias para este ano e confirmo a certeza que a felicidade está sempre por perto e que por vezes, muitas vezes, é uma questão de paciência e calma. Melhores dias sempre virão.


Tenho medo de me esquecer de ti. Tenho um medo terrível de me esquece de ti. Tenho este medo presente pois tenho revisitado memórias antigas: de algumas pessoas não consigo recordar o rosto, a voz ou o apelido, a algumas associo nomes, mas serão mesmo os seus nomes ou está uma falsa memória a tentar compensar? Tenho medo de me esquecer de ti. Tenho um medo terrível de me esquecer de ti. Da mesma maneira que em dois mil e dez tinha medo de me esquecer que o amava. Tinha medo e por isso escrevi. Escrevi em todo o lado e muitas vezes. Tinha razão, agora já não tenho a certeza se o amei. Se alguma vez amei. Mas que o escrevi, escrevi. Escrevi tanto que espero que tenha sido verade. Tenho medo de me esquecer de ti, tenho um medo terrível de me esquecer de ti e que toda esta dor não seja justificada. Tenho medo de me esquecer de ti. Tenho um medo terrível de me esquecer de ti.


É quando me chamas de espírito-livre entre uma mistura de entusiasmo e medo que me fazes perder a máscara e sorrio sem hesitações. Não és o primeiro em que percebo uma admiração cheia de reticências mas não deixa de me surpreender que dedicar o meu tempo a fazer o que me apetece nos deixe com o coração cheio de espanto. Acrescentas um "não chorei por ti, não és o amor da minha vida" e talvez não tenhas apanhado a surpresa do meu olhar, mas ainda não achei por um segundo que essa pudesse ser uma realidade: eu, o amor da vida de alguém. oh, meu pequeno, não teria regressado aos teus braços se por um instante acreditasse que as minhas idas & vindas pudessem fazer a vida de alguém tremer. Quando à liberdade, vou continuar nesta nota.

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26.11.18

obrigada Lisboa

Lx Factory
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Não agradeci o suficiente, ainda não. Ainda não agradeci ao senhor do autocarro que me fez sinal na minha paragem para saber quando tinha que sair, ao Pedro que me trouxe um álbum bonito e me tentou fotografar, não agradeci ao senhor, que na paragem do 111, me explicou como tudo aquilo funcionava, me cedeu o seu horário e quase me levava ao colo para casa. Ao Miguel que num jantar disse algo como "este tipo de letra é horrível" e me fez sentir em casa e o Cláudio, que num dia aborrecido me lembrou que a praia estava a dois minutos e fomos até Carcavelos. São só exemplos e tenho mais histórias que a memória já teima em esquecer, mas agradeço. A Lisboa, a quem fez parte, e a mim. Foi tanto-tanto que foi-me dificil fazer a transição para o chá, as mantas e muitas horas na minha companhia. Mas aos poucos eu volto, não sei se a Lisboa, mas volto a ser essa Marta, a  Marta de Agosto. Que vai, ri muito e é feliz.

ah, as fotografias, são de um que fomos almoçar ao Lx Factory: pizza. Claro, cheesecake para sobremesa. estava aqui perdido no arquivo.

Lx Factory
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12.11.18

vinte e cinco e meio

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~ Afinal a vida aos vinte e cinco não é o que eu esperava, por isso, assumo, a minha alma partiu-se e agora só quero descobrir o que me faz falta, o que me faz feliz, onde faz sentido estar, com quem faz sentido estar. Quero estar bem e feliz, mesmo que a vida seja caótica: aceitar que isso é ok. 


No final do mês de Outubro celebrei os seis mese após os temidos vinte e cinco anos e não é segredo nenhum que está a ser um ano particularmente dificil para mim. Tudo muito para dentro e não tenho marcas para mostrar a dor de cabeça que este ano me está a dar. Mas acreditem, tem valido a pena, é uma dor de cabeça que vem acompanhada de novos conhecimentos e reflexões. Passaram seis meses e parei para pensar no que tinha acontecido desde da data. O que tinha mudado, aliás, se algo tinha mudado. Se tinha mais respostas, se tinha chegado a alguma conclusão sobre as questões que me colocava no meu aniversário e para começar (ou antes de começar) gostava de dizer que para mim parece que passou uma pequena eternidade. Como se já tivesse vivido umas quantas vidas até este momento. 

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Está muito presente na minha memória que um dos maiores problemas que eu enfrentava naquela altura eram as expectativas. Na verdade só a palavra já me faz tremer e é terrível. As expectativas que eu tinha para mim, para o amor, para a amizade, para o trabalho, para o futuro, para as metas que devia alcançar. Mas pior que isso, eu não sabia como lidar com as expectativas de terceiros em relação a mim. Essas que costumam ser muito mais elevadas do que aquilo que eu sinto que sou capaz de ser e oferecer. Na altura esta ideia estava constantemente no meu pensamento e eu sentia que poderia estar a desiludir algumas pessoas por não me sentir a chegar a lado algum. Afinal, eu era especial, diziam eles, mas de especial não tinha nada.

Foi aí que eu aprendi a desligar um bocadinho do que era esperado de mim e tentei perceber o que fazia parte de mim. O que eu era, gostava, sonhava, queria, mas por mim e só por mim. Sabem o que percebi? Que eu sou feliz com pouco. Sabem aquela conversa do vive o momento e aproveita o presente? Isso sou eu! A Marta Feliz. Que era feliz com o ambiente do trabalho, pelas músicas bonitas, pelos domingos dedicados a fazer nada, pelos livros, pelos pequenos-almoços calmos, pelo sol, pela chuva, por receber mensagens de bom dia, pelos piqueniques improvisados, por poder fotografar, por poder ajudar em projetos alheios, pelas pessoas boas na minha vida, por poder acordar devagar, pelas noites que se esticavam, pelas refeições partilhadas, por comer framboesas e mirtilos até perder a conta, por encontrar corações em todas as partes, por estar bem e ok. 

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Percebi issso, que a felicidade é uma escolha, uma opção. Que aconteça o que acontecer, não me perco pelo caminho. Sei como ser feliz, mesmo que existam dias em que acordo irritada, em que me zango ou posso estar um bocadinho triste também. A felicidade está colada a mim e nos últimos seis meses também tive a oportunidade de estar um mês de férias. Fartei-me de sair da minha zona de conforto, conheci muita gente nova, muito sítios novos, espaços novos, ruas novas, maneiras novas. Tornei-me vulnerável e gostei de alguém, ri-me e fui estupidamente feliz

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O futuro? Eu não faço ideia do que o futuro me vai trazer. Mas estes últimos meses ensinaram-me muito sobre mim. Quem sou, na raiz. Também me mostraram que sou capaz de fazer qualquer coisa a que me propronha e que a felicidade pode ser apenas alguém fazer panquecas para o teu pequeno-almoço. Nem sempre é fácil e óbvio, ainda tenho dúvidas. Mas sei que venha o que vier, será em grande! Este é o caminho a seguir para responder a todas as questões desta crise-de-meia-idade-aos-vinte-e-cinto.
Eu abria uma galeria só para expor as tuas ideias", foi a coisa mais fantástica que alguém me disse e que eu tive a coragem de acreditar. Não sei o que diz sobre mim (e a minha incapacidade de validar os elogios que recebo), não sei o que diz sobre ele (e a capacidade de ver algo em mim que eu nunca vi) ou sobre nós (se existe um nós). Mas tenho-me sentido numa montanha russa: perto de descobrir algo gigante sobre quem sou, quem quero ser, com quem quero estar. Mas gato escaldado de água fria tem medo: I am broken - something's wrong inside of me. Sei que sem pedir, te pedi uma paciência ilimitada, mas acredita: penso muito em dar-te a mão - para mim, o acto mais íntimo e corajoso que penso existir. 3 de Outubro de 2018

nota 1: acho também que podemos dizer que a lista do coração  tem estado a ser cumprida quase a 100%, acho isso maravilhoso. viver d  e  v  a  g  a  r, ah!
nota 2: as fotografias são das férias do verão. morro de saudades de agosto. o mês preferido de dois mil e dezoito 

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