28.6.09

«- Pobres crianças!... - exclamou com os olhos arrazados de lágrimas.
Jacques, o rapazito de quem enchera, na vespera, o cabaz de frutas e violetas, dormia sentado, com a criancinha nos braços, muito rosada, no seu sôno inocente, como se estivesse ao colo da melhor das mães. Era um quadro encantador! A tia Josefa, porém, não se demorou muito a contemplá lo.
- Ah!... És tu, meu Príncipe?
O rapazito, acordou.
-Sim, tia Josefa, sou eu!
E envergonhado pelo que fizera, continuou:
- Como a senhora disse que a procurasse, quando precisasse de si... Eu vim. Desculpe. Preciso de quem me proteja! Desculpe-me, tia Josefa!
- Fizeste bem vir, pequeno. Proteger-te-ei, estimar-te-ei, crê.
- Não trago dinheiro... - continuou, córado como um rabanete - Os meus avôs, roubaram-me tudo... Mas eu, trabalharei, tenho forças, hei-de pagar-lhe o que devo! A culpa não foi minha...
- Não fales nisso rapaz! Olha lá, a pequerrucha, é tua irmã?
- Não, senhora. É uma menina que encontrei no Bosque ao lado do cadáver de uma mulher. Estendeu-me os bracitos com tanta graça, que eu tive muita pena dela, e trouxe-a. Fiz mal!?
- Não, fizeste bem!
- Nunca ninguém estendeu os braços para mim... E como é ainda mais fraca do que eu, agarrei nela ao colo, e disse comigo: - «Hei-de protege-la, trabalhar para ela, velar por ela! Afinal, é como eu, uma desherdada da sorte. A senhora, que tem tão bom coração há-de ajudar-me a olhar por ela... Não é assim, tia Josefa?
Jacques, na sua ingenuidade e obedecendo ao seu coração bondoso, não duvidava de coisa alguma, e acreditava plenamente em si próprio.»

Os Humildes , 2º volume.
(os erros pertencem ao livro, que já muito antigo)
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