24.8.09

e hoje foi assim
(porque o meu vicio por ti não vai passar, e eu vou continuar a amuar)


'vejo que estás mais crescida, já dobras a frustração, bates com a porta ao mundo quando ele te diz não. (...) Recuas atrás um passo para depois dar dois em frente. Amuar faz bem. Ficas descalça em casa, a fazer a tua cura, salva por um bom amuo de fazer má figura. Amanhã o mundo inteiro vai perguntar onde foste, tu dizes apenas que saíste, viajaste. Nada como um bom amuo, apenas um recuo quando nada sai bem. E depois voltar como se nada fosse e reencontrar o lugar guardado por um bom amuo.'

5 comentários

  1. Eu amuo muito , passo a vida em refugio --'
    Mas passa-me rápido.

    Tenho saudades de falar contigo .

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  2. A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón .

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  3. Eles dizem que passa. Melhor, eles dizem SEMPRE que passa. Mas é mentira, uma semi mentira, talvez não uma metade exacta de mentira, pode ser um quarto ou até três quartos de mentira. Uma coisa é certa, nunca é totalmente verdade o que eles dizem. As lágrimas rolam e rebolam pelas faces, algumas ainda conseguem escorrer pelo pescoço mas as outras encontram o chão, a roupa, as mãos a tremer ou o lenço de papel desfeito. Elas podem secar ou podem parar de ser produzidas nos nossos olhos mas não passou. Talvez atenuou mas não passou. Talvez arranja-se outras maneiras que não apenas lágrimas para catalisar o que foi. Há também que tenha noites demasiado longas e que use os rebuçados dos adultos, com alguma sorte, uma horas de sono ainda se tem. Aquele sono cru de apenas o corpo está aparentemente parado sobre alguma mobília ou sobre o chão ou qualquer coisa, afinal não importa, é apenas uma necessidade a ser cumprida, não há sonhos nesses sonos, não há abraços às almofadas ou um acordar sonolento mas satisfeito. Há o desafio de um novo dia. Energias já se tem alguma mas não passou. E os famosos vícios? A bebida queima na boca mas não mais que aqueles doces e lambuzados beijos que agora lembram ácido ou até veneno. O tabaco e afins fumáveis ajudam a esconder a cara atrás de todo o fumo, há quem até ache que parece mais sereno de cigarro em punho, confiante igualmente, mas o perfume está lá, no nódulo da orelha, no sinal do dedo mindinho da mão esquerda, naquela zona 3 centímetros numa diagonal superior para o lado direito a começar do umbigo. Ah e falemos do sexo para gastar, aquele que apenas serve para sujar os poros da pele com o suor de uma actividade mecânica, aquele que fazes mas não estás a partilhar nada. Quer sejas tu a entrar ou sejas tu a receber, é apenas mais uma relação sexual que talvez nem chega a ser isso pois nem passa pela cabeça o que estamos a fazer. Estamos apenas. Tudo isto distrai mas não passa. Muitas, muitas, muitas reacções, muitas, muitas, muitas formas de as encarar, cada um que viva isso á sua maneira, cada um que diga a percentagem de mentira que está em cada uma delas. Amuar não é a pior coisa, quer dizer, nem é coisa má. Não que haja uma regra que permita comparar, não que o amuo seja por algo que foi, não, não, não, mas já que falei de reacções num tom aleatório, analisemos o amuo. Na minha sincera perspectiva, sinto isso, o amuo, como a ponta do iceberg, pois se começo, desenha-se um poço infinito de reacções contínuas, em que a queda é o isolamento progressivo. Mas isto, é para casos em que não passa. O amuo pode ser engraçada, por ser provocador, pode ser melancólico, pode ser de birra, pode ser apenas porque hoje escolhi amuar e amuo na maior e mais perfeita maneira que conheço. E gosto. Não sofro. O amuo não é que seja doloroso, tal como chorar não é só por dor, tal como vícios não são apenas por dor, é as razões por quais reagimos assim que definem. Amuar é um acto, um acto que ocorre por determinada razão. (Acho engraçado quando tu dizes que amuas, imagino-te enrolada numa bola, deitada em cima da tua cama, apenas a fixar algo infinitamente, não apenas pela foto, mas porque tenho essa ideia pacifica). Não me lembro da última vez que amuei, talvez porque dizem que isso é estar de trombas e não me deixam culminar o meu amuo com o sossego que preciso. Gostava de amuar, porque agora estou a ver o amuo como reflexão, como um tempo para comigo a remoer uma pastilha de acontecimentos. Não uso agendas mas vou marcar um dia de amuo, não com intuito de o forçar mas se penso nisso, provavelmente concretiza-se. Vou, vou, vou, irei, ire, irei. (mais dois comentários a vir) (nada a ver, nada a ver, mas saem facilmente as palavras no comentário).

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  4. eu gosto cada vez mais das tuas fotografias, juro!

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