23.7.10

Cartas à Ana - Dia dois

Hoje foi um dia cansativo, mas também fantástico, não que tenha feito algo de maravilhoso ou especial, mas é provável que estas férias me marquem uma nova maneira de pensar. (...) Fomos à praia, e depois as compras, chegamos tão tarde (não assim tão tarde, mas…) que eu mal me aguentava até ao jantar, mas aguentei-me e aqui estou eu a escrever-te mais um belo bilhete que sei que vais gostar mesmo que as minhas palavras estejam longe de as mais bonitas, como as tuas sabem ser. Hoje quando íamos para a escola de manhã, ouvi uma música no rádio que nunca tinha ouvido (e nem tenciono ouvir) em que no refrão ela dizia “I belong to you” e mesmo sem nunca ter ouvido o resto da música, sabia que ela ia fizer “and you belong to me”, e disse-o mesmo, depois de ter ficado um pouco espantada com a banalidade da música, percebi que tudo aquilo era uma tristeza e muito ridículo, se me permites. Afinal, quem disse que tínhamos que pertencer? Acho que tinha essa ideia tão vincada na minha cabeça que me dava sempre a pertencer a outro e só mais tarde percebia que o outro, que erradamente, julguei meu, não o era assim tanto. Isso parte-me o coração, como é lógico. Mas percebi, que histórias de amor, vão haver muitas (ou assim o espero) e nem todas vão acabar bem, mas nem todas vão acabar mal. Há então que aproveitar enquanto há palavras bonitas, abraços, paciência, beijinhos no canto do lábio, cumplicidade, intimidade, mordidelas no queixo, paixão. E como já antes eu tinha respondido “what do you do with the pieces of a broken heart?”, “I do some art, sir.” E é isso, estes dois dias aqui, e vê só que foram apenas dois dias, já me fizeram perceber que desde que tenha pessoas que me querem bem, desde que me queira bem, desde de que tenha todas aquelas coisas que tanto gosto de fazer, como a fotografia e (…) consigo ser uma das pessoas mais felizes que conheço. (...) Espero que esteja tudo bem contigo.

Martitas

1 comentário

  1. "e nem todas vão acabar bem, mas nem todas vão acabar mal"

    permite-me

    , mas há uma que certamente não vai acabar.

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