6.8.10

do notebook, faço-me passar por uma flor

Nunca tinha entrado naquele café, mas eram dez da noite e havia pouca gente. Reparei que as mesas ocupavam muito espaço, ou talvez fossem as cadeiras mal arrumadas à volta das mesmas, fosse como fosse a sensação de sufoco não deixava de ser evidente na cara daqueles que se viraram para olhar para mim. Sentei-me numa das mesas do canto, junto da parede vermelha, e verifiquei que não havia nenhuma cara familiar, melhor assim, toda a decoração me pareceu demasiada e despropositada para um café e depois de quinze minutos a observa-la, já tinha o olhar cansado, desesperado para fugir para um lugar despido, ninguém parecia ter notado a minha presença, por isso continuei embrulhada nos meus pensamentos, olhei para o meu colo, trazia o vestido tão bem passado pela minha mãe, para uma noite especial, que eu sabia que nunca iria acontecer, olhei para as minhas mãos, não sabia o que fazer com elas, por isso, improvisei uma pequena dança, batendo a ponta dos dedos nos meus joelhos. Será que alguém se pergunta onde estou? Não. O empregado chegou, era cheio, pouco cabelo e de um bom humor terrivelmente mal educado, não gostei dele, quase não o conseguia suportar, e não me leves a mal, foi aquela voz, aquela voz, sabes como sou com vozes. Pedi um café, e foi quando ele chegou que percebi que nem o queria, empurrei-o para o lado, paguei e voltei a sair para a rua, o vento cortante alojou-se na minha garganta, não esperava tanto frio numa noite de verão, e não sabia para onde ir, não tinha para onde ir, não queria ir a lado nenhum.

1 comentário

  1. A-d-o-r-e-i *.* está lindo! Parece tirado de um livro, escreves tão bem *.*

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