11.7.17

elogios

auto-retrato

Não passava de uma miúda -ah quem quero enganar, ainda sou uma miúda- quando recebi aquele que viria a ser o melhor elogio que tive direito a receber. Disse-me o Pedro-Miguel-que-queria-apenas-ser-Miguel que és especial e irás sempre destacar-te numa multidão. Disse-o, na altura, com a melhor das intenções -não, ele não estava a dizer que eu falava demasiado alto ou usava roupa pirosa. Já na altura (tive essa sensatez) percebi que estas palavras seriam importantes e tentei memoriza-las, tanto quando podia. Já sabendo, mesmo sendo apenas crianças (teríamos os nossos 14 ou 15 anos) que iria ser muita curta a ligação que partilhávamos. E olha que foi verdade, depois disso falamos uma vez, pediu-me ajuda com uma prenda para a namorada e sendo ele a pessoa que me fez o melhor elogio dediquei-me a essa prenda como se de uma namorada minha se tratasse. Ainda assim, não tive coragem de falar da importância das suas palavras e de que tempos em tempos me lembrava delas e dele. Como podia? Imagina só que se dava o caso dele nem se lembrar delas, ou pior, nem sequer concordar com elas. Que validade teria depois o melhor elogio que já recebi?

P.s.: também não lhe disse que Pedro é, agora, o meu nome preferido.

Enviar um comentário

Copyright © isto já não vai lá com chás
Design by Fearne