24.4.18

capítulo 25: a vida num caos e isso é ok.

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(nota: esta publicação tem banda sonora: apontamento - margarida pinto)

Hoje celebro vinte e cinco anos e para quem me conhece o dia do meu aniversário… Ok, a semana do meu aniversário… OK! Ok, confesso! O mês do meu aniversário é por norma uma época que celebro cheia de vontade e ânimo. Penso sempre em reunir o máximo de amigos na minha casa (amigos esses que se espalham cada vez mais por diversas cidades), quero passar o dia a comer sobremesas deliciosas, recordar histórias antigas (em que muitas vezes tenho o papel de vilã) e jogar um qualquer jogo de tabuleiro. Este ano, porém, o meu aniversário será também marcado por uma pequena crise (pequena não é de todo a palavra, mas vamos continuar). Eu não sei apontar a verdadeira causa, se é mesmo este quarto de século vivido, se é do muito tempo livre que tive ~malditas três semanas de férias~ ou se é do que é e se apenas tinha que ser, mas algo dentro de mim partiu e durante muito tempo a minha resposta para tudo era apenas: não faz sentido E ~principalmente esta~ não quero falar sobre isso. É verdade, mais alguém aqui pertence ao clube de pessoas que acha que falar de sentimentos não resolve nada? Somos parvos.

A sério, três semanas de férias e o que consegui? Colocar os trabalhos pendentes em dia? Não. Acabar de ler o livro do Murakami? Não, nem por isso. Fotografar mais? Nada disso. Ver todos os episódios das minhas séries preferidas? Ok, ok, disto eu fiz muito! Mas esta crise que se instalou nas semanas que antecederam o meu aniversário foram realmente difíceis de sobreviver (e admitir isto e aqui e agora, também o foi.) A verdade é como se tivesse marcado férias na minha cidade preferida e depois estivesse a chover todos os dias. Claro, eu fiquei à espreita pela janela do meu quarto, mas porra, odeio esperar e a paciência por dias melhores não é o meu forte. Abri o guarda-chuva, fiz-me forte e fui. Aceitei: aceitei que está difícil, que algumas coisas deixaram mesmo de ter significado, fiz as pazes com as incertezas, com as dúvidas, com as expectativas não cumpridas (as minhas e a dos outros para mim).
/metáfora parva, mas acho que toda a gente sabe como férias com chuva são.

É oficial, encontro-me numa fase transição. A minha vida está um caco, como um vaso partido.* É lixado e não me perguntes para onde ou para o que estou a transitar. Até porque já te disse, não tenho respostas: Quem sou? Quem quero ser? Quem posso ser? Quem quis ser? Olha, quem quis ser, é quem ainda quero ser agora? Hoje, o que é importante para mim? O que está á minha espera no futuro? O que ainda me prende ao passado? Ah, sei lá!

Afinal a vida aos vinte e cinco não é o que eu esperava, por isso, assumo, a minha alma partiu-se e agora só quero descobrir o que me faz falta, o que me faz feliz, onde faz sentido estar, com quem faz sentido estar. Quero estar bem e feliz, mesmo que a vida seja caótica: aceitar que isso é ok.

Ah, e sim, parabéns a mim.

*a minha alma partiu-se como um vaso vazio. / caiu pela escada excessivamente abaixo. / caiu das mãos da criada descuidada. / caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. Apontamento – Álvaro de Campos
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