29.6.18

perderpontofinal


Sem título

A pergunta é clara, óbvia e repetitiva. “Então, e têm futuro?”. Posso dizer que sim, tranquilizar todas as vossas mentes inquisitivas e posso responder que não e vejo os alarmes a surgirem na vossa cabeça. Como posso eu dedicar tempo e vida a algo que eu não prevejo futuro? Porque, amigos, eu vivo o presente.
Talvez a perda seja um traço que herdamos. A minha avó materna tinha tendência para perder coisas. (…) Conseguia perder coisas mesmo nas fronteiras do seu pequeno apartamento. O lenço de renda desaparecia misteriosamente, algures nas profundezas abismais da sua malinha preta. (…) A minha avó perdia recibos, fotografias, meias, documentos, jóias, dinheiro. (…) E, porém, perder coisas não preocupava a minha avó. «Perdemos a nossa casa na Rússia, perdemos os nossos amigos, perdemos os nossos pais. Perdi o meu marido. Perdi a minha língua.», dizia ela, num misto curioso de russo, iídiche e espanhol. «Perder coisas não é tão mau, porque aprendemos a desfrutar não do que temos mas do que lembramos. Devias habituar-te à perda.» Embalando a minha biblioteca, Alberto Manguel // pág. 64 

1 comentário

  1. Gostei muito da foto!!

    Novo post: https://abpmartinsdreamwithme.blogspot.com/2018/06/a-minha-experiencia-no-rock-in-rio.html

    Beijinhos ♥

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