auto-retrato

31.3.19

um novo capítulo.

auto-retrato março
3/12 auto-retratos, 2019 | com a ajuda do lupa.s e a usar o super-hiper-cachecol que fiz para mim

Confesso uma enorme dificuldade em passar este mês para palavras. Foi um mês leve, em cores de pastel, um mês com tempo para penteados, muitas saias, vestidos e ainda assim, dias em que posso sair com o meu novo cachecol preferido e respeitar o hábito de beber um galão ao lanche. Estou animada e isso é que torna díficil a escrita sobre o mesmo. Mas março, esta primavera a espreitar, sinto eu, encerrou um processo de aprendizagem que comecei há dois anos atrás. Sinto que cheguei a algumas conclusões importantes, que aprendi mais um pouco sobre quem sou, quem quero ser, como quero ser, onde quero chegar. Aprendi que tenho a força necessária, o tempo, a paciência, que quero criar e quero colocar muito do que sou naquilo que faço, ser o mais genuína possível às minhas verdades. Sinto que encerro este capítulo, que lhe chamei capítulo vinte e cinco, no pico da crise, e que começo uma nova fase. Consegui algumas respostas, outras dúvidas surgiram. Não vou negar que ainda acordo alguns dias reticente, com medo, com dúvidas, mas sei que consigo, acalmo logo a ansiedade. Sou capaz. Sei que sou forte, vou confiante, segura. Obrigada março, foste bom.  

auto-retrato março

28.3.19

uma semana de dois mil e dezanove

há umas semanas fiz o exercício de largar os instastories e usar mais a câmara fotográfica durante a semana.
isto foi o que aconteceu.

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14.3.19

sobre aquela vez em que trabalhei numa livraria


o meu filho agora é vegetariano. sim? temos bons livros de receitas, quer ver? ele também me disse que não come ovos. sim, vegan então? eu não sei qual é a diferença, confessa. também tenho alguns livros interessantes, vamos ver? saiu com dois livros, mas mais que isso a esperança de continuar a ser a protecção, de saber sempre fazer o melhor pelos que lhe são seus, por manter a ligação, por saber, que mesmo sem entender, podia continuar ali de braços abertos para o acolher. um livro, seja qual livro for, é sempre mais que um conjunto de folhas. é tantas vezes esperança.

26.2.19

o azul é temporário.

Sem título
auto-retrato 2/12, com ajuda do lupa

gosto do que fizeste com o cabelo. esse azul é bonito. isso não é azul, é verde. seja como for, o azul é temporário apresso-me a dizer. temporário é a palavra de ordem na minha cabeça. temporário. de passagem, de não ser completo. de não existir um futuro. um amor temporário, uma amizade temporária, uma pessoa temporária, um sítio temporário. temporário. não fica. tem-po-rá-ri-o. tudo em modo de passagem. em estar cá com tudo e um dia acordar e não restar nada. de um ser e deixar de ser, não ser tão importante assim. não ser a prioridade, não ser. ser memória de segundos e mais uma vez o coração partido. repito para mim que me habituo, que não preciso de ninguém, que sou sozinha e sou bem. temporário-temporário-temporário. repito e tento convencer-me a mim própria que está bem assim. encho a rotina, deixo-me dormir. prometo-me que passa. que é apenas temporário.

mas talvez, penso com esperança, talvez temporário queira apenas querer dizer livre.
livre para ser inteira por mim, para mim, só para mim. 

29.1.19

janeiro.

auto-retrato janeiro
1/12 auto-retratos, 2019

Pela primeira vez, em muito tempo, a ideia de não saber onde vou estar daqui a cinco (um) anos não me preocupa. Estou a fazer planos, delinear tarefas, traçar metas e pelo meio disso sinto-me bem. Ainda não tenho respostas para te dar quanto ao meu futuro. Acredito que nunca terei. Mas o que for, eu estarei pronta. Se não for exactamente como queria, saberei como dar a volta por cima para tirar o máximo proveito. Chegarei à Nova Zelândia, trabalharei aqui ou ali, terei uma casa assim e um estilo de vida ainda melhor, talvez até comece a comer melhor. Ou talvez não, provavelmente não. Mas é um daqueles casos em que importa mais a viagem que o destino. Estou curiosa quanto ao futuro, o que será janeiro de 2020. Bolas! O que será fevereiro de 2019. Mas é isso, curiosa. Deixei a ansiedade de lado, não tenho pressa, também estou bem aqui, no agora, e quero criar as memórias mais bonitas. A única certeza que tenho é que quando olhar para trás quero ter saudades, pois ter saudades é a prova mais sincera de que valeu a pena viver!
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