auto-retrato
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~ Afinal a vida aos vinte e cinco não é o que eu esperava, por isso, assumo, a minha alma partiu-se e agora só quero descobrir o que me faz falta, o que me faz feliz, onde faz sentido estar, com quem faz sentido estar. Quero estar bem e feliz, mesmo que a vida seja caótica: aceitar que isso é ok. 


No final do mês de Outubro celebrei os seis mese após os temidos vinte e cinco anos e não é segredo nenhum que está a ser um ano particularmente dificil para mim. Tudo muito para dentro e não tenho marcas para mostrar a dor de cabeça que este ano me está a dar. Mas acreditem, tem valido a pena, é uma dor de cabeça que vem acompanhada de novos conhecimentos e reflexões. Passaram seis meses e parei para pensar no que tinha acontecido desde da data. O que tinha mudado, aliás, se algo tinha mudado. Se tinha mais respostas, se tinha chegado a alguma conclusão sobre as questões que me colocava no meu aniversário e para começar (ou antes de começar) gostava de dizer que para mim parece que passou uma pequena eternidade. Como se já tivesse vivido umas quantas vidas até este momento. 

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Está muito presente na minha memória que um dos maiores problemas que eu enfrentava naquela altura eram as expectativas. Na verdade só a palavra já me faz tremer e é terrível. As expectativas que eu tinha para mim, para o amor, para a amizade, para o trabalho, para o futuro, para as metas que devia alcançar. Mas pior que isso, eu não sabia como lidar com as expectativas de terceiros em relação a mim. Essas que costumam ser muito mais elevadas do que aquilo que eu sinto que sou capaz de ser e oferecer. Na altura esta ideia estava constantemente no meu pensamento e eu sentia que poderia estar a desiludir algumas pessoas por não me sentir a chegar a lado algum. Afinal, eu era especial, diziam eles, mas de especial não tinha nada.

Foi aí que eu aprendi a desligar um bocadinho do que era esperado de mim e tentei perceber o que fazia parte de mim. O que eu era, gostava, sonhava, queria, mas por mim e só por mim. Sabem o que percebi? Que eu sou feliz com pouco. Sabem aquela conversa do vive o momento e aproveita o presente? Isso sou eu! A Marta Feliz. Que era feliz com o ambiente do trabalho, pelas músicas bonitas, pelos domingos dedicados a fazer nada, pelos livros, pelos pequenos-almoços calmos, pelo sol, pela chuva, por receber mensagens de bom dia, pelos piqueniques improvisados, por poder fotografar, por poder ajudar em projetos alheios, pelas pessoas boas na minha vida, por poder acordar devagar, pelas noites que se esticavam, pelas refeições partilhadas, por comer framboesas e mirtilos até perder a conta, por encontrar corações em todas as partes, por estar bem e ok. 

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Percebi issso, que a felicidade é uma escolha, uma opção. Que aconteça o que acontecer, não me perco pelo caminho. Sei como ser feliz, mesmo que existam dias em que acordo irritada, em que me zango ou posso estar um bocadinho triste também. A felicidade está colada a mim e nos últimos seis meses também tive a oportunidade de estar um mês de férias. Fartei-me de sair da minha zona de conforto, conheci muita gente nova, muito sítios novos, espaços novos, ruas novas, maneiras novas. Tornei-me vulnerável e gostei de alguém, ri-me e fui estupidamente feliz

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O futuro? Eu não faço ideia do que o futuro me vai trazer. Mas estes últimos meses ensinaram-me muito sobre mim. Quem sou, na raiz. Também me mostraram que sou capaz de fazer qualquer coisa a que me propronha e que a felicidade pode ser apenas alguém fazer panquecas para o teu pequeno-almoço. Nem sempre é fácil e óbvio, ainda tenho dúvidas. Mas sei que venha o que vier, será em grande! Este é o caminho a seguir para responder a todas as questões desta crise-de-meia-idade-aos-vinte-e-cinto.
Eu abria uma galeria só para expor as tuas ideias", foi a coisa mais fantástica que alguém me disse e que eu tive a coragem de acreditar. Não sei o que diz sobre mim (e a minha incapacidade de validar os elogios que recebo), não sei o que diz sobre ele (e a capacidade de ver algo em mim que eu nunca vi) ou sobre nós (se existe um nós). Mas tenho-me sentido numa montanha russa: perto de descobrir algo gigante sobre quem sou, quem quero ser, com quem quero estar. Mas gato escaldado de água fria tem medo: I am broken - something's wrong inside of me. Sei que sem pedir, te pedi uma paciência ilimitada, mas acredita: penso muito em dar-te a mão - para mim, o acto mais íntimo e corajoso que penso existir. 3 de Outubro de 2018

nota 1: acho também que podemos dizer que a lista do coração  tem estado a ser cumprida quase a 100%, acho isso maravilhoso. viver d  e  v  a  g  a  r, ah!
nota 2: as fotografias são das férias do verão. morro de saudades de agosto. o mês preferido de dois mil e dezoito 

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praia da adraga
praia da adraga
praia da adraga
praia da adraga
praia da adraga
praia da adraga
praia da adraga
praia da adraga
praia da adraga
e não me lembro de gostar tanto das férias de verão desde do meu tempo de miúda, nem de ter deixar tanto a câmara de lado desde dos tempos da adolescência. Já posso repetir outra vez?

snaps das ultimas ferias
snaps das ultimas ferias
snaps das ultimas ferias
snaps das ultimas ferias
snaps das ultimas ferias
snaps das ultimas ferias
snaps das ultimas ferias
 quem tem uma mãe fátima tem as blusas personalizadas.

auto-retrato
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Tenho pensado mais em ti do que gostaria de admitir, mas agora isso que se lixe: Tenho pensado em ti. Faço, em silêncio, breves agradecimentos por teres aparecido e desaparecido em modo flash. Por me teres tirado da zona de conforto, por me teres dado a mão enquanto sussurravas que eu era medricas (éramos os dois). Tinha razão para o ser, não é? Arrisquei o coração e foi dolorosa a decepção. Acreditei que sairia da experiência outra pessoa. Por momentos não me encontrei e achei que só havia uma maneira de ganhar: jogando o jogo. Mas talvez seja do sol na pele, a areia que não quer sair, o salmão em quase todas as refeições. Mas não, não há momento em que eu tenha estado mais feliz. Não há momento em que me tenha sentido mais eu. Mais Marta. Mais inteira. Mais calma. Mais louca e mais sã. Estou a dar-me tempo par sarar mas não tenho mais cartas na mão. Dou por inteiro. Sorrio. Choro. Sinto borboletas na barriga. Vou a medo, mas vou. Sou até a primeira a procurar a mão e o abraço no outro. E sorrio para denunciar a mentira nas palavras: não vou ter saudades tuas. Afinal, que posso querer mais do que ter saudades? A doce recordação de algo que tive a sorte de viver. Oh bolas, sou uma sortuda. Há pouco perguntei-me o que tinha acontedito de bom no último ano: as pessoas, definitivamente. As que apareceram e foram embora. As que ficaram, que reapareceram e as que desapareceram. Pessoas e tudo o que trouxeram com elas. Mesmo que tenha sido caótico. Olha, especialmente, se foi caótico. Não quero viver mais a vida em modo medricas. Agora se dou, dou por inteiro. // Um dia disse-te que o teu papel tinha sido libertarme de uma história de amor que não ia resultar. Mas não foi só isso. O teu papel foi libertar-me. Ponto final. Obrigada. Espero que te encontres tão bem como eu. Agora sim, adeus * 19 de Agosto de 2018 

Acredito e percebo se apontares que tudo o que vou dizer a seguir é mentira e estou completamente louca. Mas sou mesmo assim: louca. Consigo compreender que não aches possível perceber quais os momentos e decisões que vão mesmo mudar o rumo da nossa vida, especialmente no momento em que os vivemos. Não é mesmo que eu agora dizer que aquele meu primeiro namorado mudou radicalmente a minha maneira de confiar e que aquele café que tomei com a minha colega fez surgir uma nova proposta de trabalho, passado é passado e é fácil julgar de longe. Mas acredito que as últimas semanas mudaram tudo. Tanto quanto sei até pode ser ainda aquela história dos vinte e cinco anos que achei que tinha resolvido ou apenas o ar da praia que ainda me acompanha na nova rotina (que ainda não é rotina, só novidade) e passa daqui a um mês. Mas para já, não me sinto a mesma miúda do inicio do mês de agosto ~aquela das fotografias que acompanham estas palavras. Mas uma outra miúda, mais capaz de decidir, de fazer acontecer, de controlar o ritmo. Uma miúda sem medo de perder, de falhar porque tentou, de perder quem encontrou. Uma miúda com mais liberdade para ser quem sempre quis ser. 

p.s.: a música que acompanha esta publicação é: I'll come crashing - A giant dog
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auto-retrato com ajuda do @lupa.s


I feel like I'm drowning / I'm drowning
You're holding me down and / Holding me down
You're killing me slow / So slow, oh-no
I feel like I'm drowning / I'm drowning
My life is okay / Just when you're not around me

twofeet, e a música nova na minha playlist just kiss the girl
Sem título

sou atraída por pessoas tristes. ou são eles que puxam por mim? será que lhes atrai esta felicidade descarada? esta vontade louca de viver? este estar sempre apaixonada por qualquer coisa que nunca sei bem o que é? então, porque depois de me terem nos seus braços querem outra marta? não querem esta que quando ri faz barulho e abre muitos os olhos à hipotese de uma fatia de bolo de chocolate?
estoubemestoubemestoubem

queria só dizer-te que estou bem. muito eu. muito aliviada. muito leve. alegre. feliz. como disse, muito eu. não esperei que fosse logo assim. achei que as saudades tuas seriam pesadas durante mais tempo. mas eu disse-te que ia ser feliz, fosse o que fosse que a vida me desse (e me tirasse) que eu ia saber ser feliz. sou. se tenho saudades é porque valeu a pena. se às vezes tenho que chorar, deixo-me estar. mas sou feliz e quero ser sempre, para sempre. seja o que for que a vida me ofereça, sei sempre o caminho para a felicidade. 

patiently listnin' / you're keepin' your distance / and I'm still hoping that we can be friends / but if that's too much then I'll ask no more than / this which we've buried. black and white, rainbow kitten surpise 
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I'm sorry Mr. Policeman, 
If I wanted to talk I would have called a friend
Don't worry when I get back home
I'll just stay in bed, I'm better off alone
(...)
I don't know what I know
But I know where it's at
Just because I lost it doesn't mean I want it back
creep in a t-shirt - Portugal. the man

Sem título

A pergunta é clara, óbvia e repetitiva. “Então, e têm futuro?”. Posso dizer que sim, tranquilizar todas as vossas mentes inquisitivas e posso responder que não e vejo os alarmes a surgirem na vossa cabeça. Como posso eu dedicar tempo e vida a algo que eu não prevejo futuro? Porque, amigos, eu vivo o presente.
Talvez a perda seja um traço que herdamos. A minha avó materna tinha tendência para perder coisas. (…) Conseguia perder coisas mesmo nas fronteiras do seu pequeno apartamento. O lenço de renda desaparecia misteriosamente, algures nas profundezas abismais da sua malinha preta. (…) A minha avó perdia recibos, fotografias, meias, documentos, jóias, dinheiro. (…) E, porém, perder coisas não preocupava a minha avó. «Perdemos a nossa casa na Rússia, perdemos os nossos amigos, perdemos os nossos pais. Perdi o meu marido. Perdi a minha língua.», dizia ela, num misto curioso de russo, iídiche e espanhol. «Perder coisas não é tão mau, porque aprendemos a desfrutar não do que temos mas do que lembramos. Devias habituar-te à perda.» Embalando a minha biblioteca, Alberto Manguel // pág. 64 
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It always fascinated me how people go from loving you madly to nothing at all, nothing. It hurts so much. When I feel someone is going to leave me, I have a tendency to break up first before I get to hear the whole thing. Here it is. One more, one less. Another wasted love story. I really love this one. When I think that it's over, that I'll never see him again like this... well yes, I'll bump into him, we'll meet our new boyfriend and girlfriend, act as if we had never been together, then we'll slowly think of each other less and less until we forget each other completely. Almost. Always the same for me. Break up, break down. Drunk up, fool around. Meet one guy, then another, fuck around. Forget the one and only. Then after a few months of total emptiness start again to look for true love, desperately look everywhere and after two years of loneliness meet a new love and swear it is the one, until that one is gone as well. There's a moment in life where you can't recover any more from another break-up. And even if this person bugs you sixty percent of the time, well you can't live without him. And even if he wakes you every day by sneezing right in your face, well you love his sneezes more than anyone else's kisses. 2 days in Paris.

antes, o momento anterior parei para perceber se era mesmo aquilo que eu queria fazer, se aquela era mesmo a decisão que queria tomar. em vez disso distraí-me com o verde das árvores, o azul do céu, a aragem quente e o meu coração que batia bastante rápido. não sei se da subida, se de antecipação. não. da subida definitivamente. depois de alguns minutos parada a minha respiração volta ao normal. sentamo-nos. sobre este momento não quero guardar nada. depois levantei-me e assim que tive oportunidade olhei para as árvores. o mesmo verde, o mesmo azul, a mesma aragem. não mudou nada, mas mudou tudo. será primavera, ainda assim.
Quando vier a Primavera, / Se eu já estiver morto, / As flores florirão da mesma maneira / E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. / A realidade não precisa de mim. Alberto Caeiro, Quando vier a primavera
nem de nós. 

queselixeomedook? antes: quero tomar as decisões de coração. coração aberto.ferido.receoso. mas descobri que muitos corações estão assim. então, sejamos mais gentis nas nossas decisões, mas por favor, não sejamos medricas. não sejas medricas. depois: se acredito que valeu a pena? hm.


futuro
o-verão-passado-em-playlist, esta playlist está a ser muito querida para mim. quando, o ano passado ouvia estas músicas (algumas em modo repeat) eu não fazia ideia das coisas boas que iriam acontecer entre estes dois verões. por isso, não tenho que ficar triste pelo que perdi, mas feliz pelo o que tive oportunidade de viver e bem, sabemos lá o que acontece até ao verão de dois mil e dezanove.
mãe, fiz uma mala!mãe, fiz uma mala!

Esta nova moda chegou e eu, como muitas de nós, não consegui resistir. Para onde quer que olhasse via carteirinhas dentro deste gênero. Mais pequenas, maiores, noutras formas geométricas, com bordados e com pompons. Eu queria! Sempre que entrava numa loja o meu olhar era atraído para a secção das carteiras e eu sabia que ia me trazer uma certa dose de felicidade ter também uma para mim. Infelizmente os preços eram sempre puxados para os meus orçamentos (que para roupa e afins é igual a zero e eu raramento o levo a sério), então decidi colocar mãos à obra e fazer a minha própria carteira! O resultado final deixou-me muito orgulhosa. Cheia de defeitos e pormenores que não correram assim tão mal, mas feita à minha medida e exactamente como eu queria! 

// para fazer esta carteira guiei-me por este tutorial: bolsa circular de palha

mãe, fiz uma mala!
mãe, fiz uma mala!
mãe, fiz uma mala!