24.7.10

Cartas à Ana - Dia dez

Hoje acabei de ler o livro que me emprestaste, é uma história impressionante, não porque fuja muito do vulgar, se bem que três mortes não se pode considerar vulgar, mas certamente pela forma como é contada, há pessoas que têm um talento especial para contar histórias e esta senhora, parece-me ter um dom bem especial sabendo prender o leitor ao livro do inicio ao fim, mas hoje isso pouco me importa confesso. Estou cansada, verdadeiramente cansada. O meu corpo e a minha mente querem desistir, mas o meu pensamento e a minha imaginação e as minhas memórias não param de me zumbir pequenas frases. Já conto muitos dias sem conseguir dormir, a ter mil sonhos. Aquelas noites, em que acordo, e tenho a sensação de ter estado todo o tempo num permanente estado de alerta, como tal sinto-me cansada, mas vai tudo muito além do sono, sinto-me irritada, tudo me irrita, expressões, caras, “segundos” risos, tudo me tira do sério e a minha tolerância e visão pacifica que se apresentava do mundo, sumiram, sinto-me nervosa, irrequieta, ansiosa. Sinto que tenho muito para fazer e que estou a perder o meu tempo com sonos. Mas isto assim não pode continuar, não aguento muito mais, quero ir para casa, para minha casa, para minha casa dormir.

Martitas

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