25.7.10

Cartas à Ana - Dia doze

Tinha saudades de casa, tinha saudades das minhas pessoas, tinha saudades desta luz. E hoje quando acordei e me vi na minha cama, não consegui deixar de sorrir, a minha cama, a minha janela, o meu tapete, tudo tão igual, tudo tão meu. Comi duas pêras, ao pé da janela da cozinha, aquela onde me levo todas as noites no final de cada jantar. Fiquei maravilhada com a quantidade de palavras novas que o Tomás já sabe usar. E parece-me agora tudo tão bem, tudo tão no sítio. Sinto-me feliz por verificar que ainda é a minha casa e que vai ser sempre. O meu primeiro passeio por viseu, dei-o sozinha, as minhas velhas ruas continuam iguais, fieis, barulhentas e com aquele sol sempre tão simpático. Sentia-me feliz, não me preocupava com muito mais para além de mim, neste passeio matinal, tal qual marinheiro que volta a sua terra natal. E ali, no fim da tarde, deitada na relva na companhia de um velho amigo, senti que queria ficar assim para sempre, feliz, em casa.

Martitas

Enviar um comentário

Copyright © mau olhado
Design by Fearne