4.1.11




foi mais ao menos nas primeiras conversa - enquanto voltava a olhar para um jarro de flores e ponderava se o devia deixar ali ou não - que me disse que gostava muito que um dia, eu me sentisse em casa, ali, ao pé dela - levando a mão ao peito enquanto pronunciava dela. não lhe respondi, apenas porque nunca lhe cheguei a responder verdadeiramente a nada. mas na verdade, se tivesse exigido uma resposta da minha parte, teria-lhe dito que não. nunca achei que aquela fosse a minha casa, faltava-lhe o sol, o barulho e a possibilidade de arrastar os pés pelo o chão sem me magoar nos cantos dos seus móveis tão estupidamente caros que um dia decidiu comprar para encher o vazio dentro de si - mas depois, hoje, encostada a uma parede, sentada no chão, ao lado do sofá, um livro na mão, aberto numa página ao acaso - pois não estava de facto a ler - vestida com as primeiras peças de roupa que apareceram no monte - embora seja provável que inconscientemente tenha escolhido a peça mais confortável, que por sua vez, é também a peça mais gasta, mais velha, mais feia, aquela feita com aquelas lãs de cores demasiado vivas e mal combinadas, comia devagar um pequeno almoço que tinha preparado na sua cozinha. e no meio disso tudo, de um pensamento comum, vazio e vago, houve algo de familiar. por momentos, sorri. percorri o espaço com o olhar, e contrariamente aos sentimentos que me tinham preenchido nos últimos dias, senti-me bem, senti-me segura, senti-me em casa.

2 comentários

  1. http://www.youtube.com/watch?v=ZagfIvECkeA&list=MLGxdCwVVULXfDGWL0alXeiJDzADqWYd_w&playnext=2

    acho que vais gostar disto

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