16.9.16

à mesinha de cabeceira: o peso da leveza

A 'Insustentável leveza de ser' de Milan Kundera que também já adaptado ao cinema foi, definitivamente, um dos meus livros preferidos deste ano. Foi tão preferido que não vos falei dele porque me falharam as palavras. Não tanto pela história do livro mas pelos os assuntos que aborda. Por nos fazer pensar, por nos fazer conversar connosco próprios sobre as questões levantadas, por tratar de tantos temas e de uma forma tão natural e encadeada que não queremos parar de ler o livro nem por um segundo.
O eterno retorno é uma ideia misteriosa de Nietzsche que, com ela, conseguiu dificultar a vida a não poucos filósofos: pensar que, um dia, tudo o que se viveu se há-de repetir outra vez e que essa repetição se há-de repetir ainda uma e outra vez, até ao infinito! Que significado terá este mito insensato? O mito do eterno retorno diz-nos, pela negativa, que a vida, que há-de desaparecer de uma vez por toda para nunca mais voltar, é semelhante a uma sombra, é desprovida de peso, que, de hoje em diante e para todo o sempre, se encontra morta e que, por muito atroz, por muito bela, por muito esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor não tem qualquer sentido. Não vale mas do que uma guerra qualquer do século XIV entre dois reinos africanos, embora nela tenham perecido trezentos mil negros entre suplícios indescritíveis. (A insustentável leveza do ser, Milan Kundera, - pág.9)

A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera

Comprei uma versão de bolso, capa verde e ainda bem, andou comigo para todo o lado, com páginas marcadas, folhas sublinhadas, quase páginas perdidas. Como um verdadeiro livro de bolso, de guerra, acompanhou-me e li em cada quinze minutos livres que tive. E bem sei que tenho tentado vender, dar e emprestar os meus outros livros - porque bem materiais não são assim tão importantes e nunca me vi a repetir uma leitura - mas este, em conjunto com os da Joanne Harris e o Diário de Etty é para ficar e abrir num acaso e encontrar algo especial. 
Einmal ist keinmal. Uma vez não conta. Uma vez é nunca. A história da Boémia não há-de repetir-se segunda vez, a história da Europa também não. A história da Boémia e a história da Europa são dois esquissos que a inexperiência da humanidade traçou. A história é tão leve como a vida do individuom insustentavelmente leve, leve como uma pena, como poeira ao vento, como uma coisa que há-de desaparecer amanhã(A insustentável leveza do ser, Milan Kundera, - pág. 227)

A T, que leu antes de mim disse: Não só um título incrivelmente denso e cativante, mas uma obra doce, cativante e forte que nos leva e enleva ao longo da vidas personagens que se apresentam sem aviso ou ordenação (ler mais).

Parece que existe no cérebro uma zona perfeitamente especifica que poderia chamar-se memória poética e que regista aquilo que nos encantou, aquilo que nos comoveu, aquilo que dá à nossa vida a sua beleza própria.. Desde que Tomas conhecera Tereza, nenhuma mulher tinha o direito de deixar qualquer marca, por mais efémera que fosse, nessa zona do seu cérebro. (A insustentável leveza do ser, Milan Kundera, - pág. 260)

p.s.: estou a vender alguns dos livros que já li e até vos falei deles, vejam aqui.  
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