2.2.18

o que vemos quando lemos | a mesinha de cabeceira

um óptimo livro para folhear se tiverem oportunidade e tenho pena de não ter melhores fotografias para vos deixar curiosos, por isso, acreditem na minha opinião: um bom livro para nos fazer levantar questões sobre a forma como o nosso cérebro funciona, como funciona ler um livro e pensar sobre aquilo que realmente vemos quando lemos
Não me parece que alguma vez vá esquecer a primeira vez que vi Hercule Poirot. É claro que me habituei a ele mais tarde, mas, de ínicio, tive um choque [...]. Não sei o que tinha imaginado [...]. É claro que eu sabia que ele era estrangeiro, mas não esperava que fosse assim tão estrangeiro como era, se é que me estão a entender? Quando o víamos, só tínhamos vontade de rir! Parecia saído do palco ou do cinema. Agatha Christie, Crime na Mesopotâmia 
A escrita [...] é apenas outro nome para designar a conversação: Tal como ninguém, que saiba o que está a fazer, quando se vê em distinta companhia, se aventuaria a dizer tudo; - também nenhum autor, que entenda os justos limities do decoro e da boa educação, se atreveria a pensar tudo: O mais verdadeiro respeito que podeis mostrar pelo entendimento do leitor é dividir as coisas a meio amigavelmente, deixando-lhe a ele algo que imaginar, por seu lado Laurence Sterne, A vida e Opiniões de Tristram Shandy
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Tenho pena dos romancistas que têm de mencionar os olhos das mulheres: a escolha é tão limitada [...]. Tem olhos azuis: inocência e honestidade. Tem olhos negros: paixão e profundidade. Tem olhos verdes: rebeldia e ciúme. Tem olhos castanhos: digna de confiança e cheia de bom senso. Tem olhos violeta: é um romance de Raymond Chandler. Julian Barnes, O Papagaio de Flaubert
Italo Calvino descreve esta intermediação... O romance começa numa estaçã ferroviária, ronca uma locomotiva, um arfar de êmbolo tapa a abertura do capítulo, uma nuvem de fumo esconde parte do primeiro parágrafo.
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