a mesinha de cabeceira

29.10.15

Paper Towns: o livro & filme.



Paper Towns é uma história sobre jovens & para jovens. Eu gosto das histórias de John Green e não podia deixar escapar esta pois intrigava-me as palavras na contra-capa e o trailer que vi uma dezena de vezes antes de ler o livro. Resumindo, e sem estragar a história a ninguém: é uma história sobre uma rapariga que desaparece Margo always loved mysteries. And in everthing that came afterward, I could never stop thinking that maybe she loved mysteries so much that she became one.) pela quinta vez, e como é seu hábito, deixou pistas para poder ser encontrada. Desta vez, é Q. quem recebe as pistas e toda a história de desenvolve na procura na rapariga mistério. No livro são abordadas questões pertinentes: a forma como vemos as pessoas. como cada pessoa tem uma impressão diferente de nós e como isso pode moldar a nossa forma de estar na vida e como enquanto não quisermos não conseguiremos ver as pessoas como elas são mas sim aquilo que reflectimos de nós nos outros. como segundo plano estão os temas em que o filme se foca mais: a amizade e o fim de uma etapa na nossa vida, no caso das personagens falamos no secundário, mas muitos dos sentimentos são comuns a todas as vezes em que chegamos ao final de mais um etapa e uma mistura de sentimentos reinam em nós. No livro consegui identificar-me melhor com o Q. e as várias fases que ele passa ao pensar no que sente por Margo, pelos amigos e festas e o que significa, para ele, concluir o secundário. Já no filme, sinto que conseguiram explorar o melhor o lado de Margo e o porquê de ela fugir constantemente. Por isso, e apesar de o filme conseguir ser muito do livro, aconselho a prestarem atenção às duas coisas, pois, para mim, complementam-se. 

22.10.15

No outro dia comprei um livro em segunda mão e em 305 páginas, uma única frase vinha sublinhada. It is so hard to leave - until you leave. And then it is the easiest goddamned thing in the world. Para quem já leu o Paper Towns do John Green sabe que eu só poderia assumir que a frase tinha sido sublinhada de propósito para mim. 

17.8.15

o circo chegou!

Gosto quando encontro livros que estão em promoção, feiras de livros e livros emprestados porque posso investir em conhecer autores e livros dos quais nunca ouvi falar sem receio de deixar o livro perdido na minha prateleira. O "Circo dos Sonhos" surpreendeu-me pela positiva. Na capa e contra capa havia várias referências aos amantes da saga Harry Potter, e já que eu nunca cheguei a ler os livros mas acho maravilhoso a criação de todo um mundo de magia, nomes e histórias à parte do nosso e fico sempre encantada como os livros que falam de magia da Joanne Harris não podia deixar escapar este oportunidade e deixar o meu lado mais fantasioso reinar um bocadinho. A história não é contada de forma linear (o que para mim ganha logo extra pontos) e é preciso estar atenta às datas e locais para não nos perdermos. O local principal, "Circo dos Sonhos" tem descrições maravilhosas, especiais e mágicas. Dá verdadeiramente vontade de procurar por um circo assim (criar um circo assim?) que ultrapassa muito dos nossos sonhos com espetáculos e tendas cada vez mais maravilhosas e fantásticas com o desenrolar da narrativa. Uma fonte inesgotável de maravilhas e magia que nem mesmo as pessoas mais dedicadas a este espaço (e acreditem que elas existem, são os "Rêveurs") conhecem todos os seus recantos e há sempre coisas novas para descobrir. No meio deste local existe um desafio a decorrer entre Celia e Marco que são preparados toda a sua vida para este confronto sem conhecerem as suas regras, os seus limites ou quando e qual seria o desfecho. Gostei e recomendo. Uma boa leitura para quem se quer perder por umas horas.  

27.7.15

à mesinha de cabeceira

"-As histórias mudaram, caro rapaz - diz o homem de fato cinzento, com uma tristeza quase impercetível na sua voz. - Já não existem batalhas entre o bem e o mal, nem monstros para serem trucidados ou donzelas à espera da salvação. A minha experiência diz-me que a maior parte das donzelas são perfeitamente capazes de se salvar sozinhas, pelo menos as que valem qualquer coisa, em todo o caso. Já deixaram de existir as simples fábulas com demandas, monstros e finais felizes. As demandas têm falta de objetividade em relação às suas metas ou percursos. Os monstros revestem-se de formas diferentes e é difícil reconhecê-los por aquilo que são. E nunca há verdadeiramente finais felizes ou outros quaisquer. As coisas prolongam-se indefinidamente, sobrepõem-se umas às outras e perdem os contornos; a tua história é parte da história da tua irmã , que é parte de muitas outras histórias, e é impossível saber onde muitas delas vão parar. O bem e o mal são muito mais complexos do que uma princesa e um dragão ou um lobo e uma menina vestida de vermelho. E afinal o dragão não é o herói da sua própria história? O lobo não se limita a agir como os lobos o devem fazer? Embora talvez aquele lobo que vai ao ponto de se disfarçar de avó para manobrar a presa seja algo invulgar."

Circo dos sonhos - Erin Morgenstern
(espero ter o tempo para vos falar deste livro)

27.2.15

à mesinha de cabeceira: penas & ossos

A Revolta. Pena e Osso: As crónicas do Corvo - Clem Martini, em Fevereiro 

Comprei este livro por três motivos - não muito válidos: estava num monte de livros a dois euros - o que me chama logo a atenção - tinha uma capa super engraçada e apetecia-me ler uma história bonitinha e simples. Fiquei agradavelmente surpreendida, não pela história, mas porque se nota ao longo do livro um estudo bem feito aos corvos, aos seus hábitos e a sua forma de "estar", o que leva a cenários super engraçados. Consegui imaginar várias vezes as conversas e pensamentos e rir-me da ironia. O autor consegue levar-nos a pensar "de facto já vi corvos/pássaros a ter esse tipo de atitude". Gostava imenso que alguém pegasse nesta história e a passasse para animação porque é tão visual a forma como é contada que consigo apostar que seria bem divertido! 
Se tiverem crianças que gostem de ler na família eu aconselho a leitura, aliás, até poderá ser combinado e posso vender/doar este exemplar aqui!

29.7.13

Lendo no escuro



Lendo no Escuro - Seamus Deane
( ... - 19 de Julho)

Este ano falei muito pouco de livros (em relação a anos anteriores), pois a verdade é que vamos quase em Agosto e eu comecei agora a ler o quinto livro do ano. Não é tudo preguiça, mas sim falta de tempo e livros cativantes na prateleira. No entanto, e como há sempre exceção há regra, este ano já consegui ler dois livros da minha autora preferida - Joanne Harris - e li o “Lendo no Escuro” de Seamus Deane, que é um daqueles livros já de capa velha, uma edição antiga e que eu nunca dou nada por eles, mas que me surpreendem sempre. Este, conta a história de uma família de tradições e costumes, num local daqueles onde toda a gente sempre sabe tudo, mas são apenas pontos acrescentados de histórias mal contadas. Mas confesso, não foi isso que me cativou, mas sim a forma como o autor a escolhe contar. Através de relatos das memórias confusas de um dos mais novos membros da família, que entre a polícia, os loucos, a sua mãe e o seu avô à beira da morte, descobre as verdadeiras condições que levaram ao desaparecimento do seu tio. Mas, para dizer a verdade, não foi isto que me levou a querer escrever sobre o livro, mas porque foi com ele que me apercebi (mais uma vez) de quanto os livros, sem quererem nos podem dizer tanto, mesmo quando eles falam de batatas e nos fazem pensar em borboletas. Quase sem querer, comecei sem querer uma partilha (quase) diária de excertos de textos no meu perfil do facebook (todos gostamos de redes sociais, não mintam) e podem, se quiserem, dar uma espreitadela, porque esta coisa é pública. Ah, já agora, e vocês, têm algum livro marcado de uma ponta a outra com partes bonitas que vos fizeram pensar nas ondas do mar e beijinhos na testa?

Contavam-nos que as pessoas de olhos verdes eram amigas das fadas e que estavam aqui só por pouco tempo, à procura de uma criança que pudessem levar.

8.5.12

(zenit-11 &  Kodak Farbwelt ISO 200)

LIVROS DE 2012, 14º
blueeyedboy - Joanne Harris (26 Abril - 6 de Maio)

All this is fic, you understand. I never murdered anyone. I know they tell you to write what you know, as if you could ever write what you know, as if knowing were the essential thing, when the most essential thing is desire. 

Pois claro, que ainda está para vir o dia em que irei ler um livro de Joanne Harris que não vou gostar,  passando pela escrita que me perturba desde o primeiro dia em que a comecei a ler, pela diferença das histórias e especialmente, pelo o inesperado. Nunca se sabe o que vai acontecer e mesmo na altura em que se pensa "ah já percebi", no parágrafo seguinte outra reviravolta está para acontecer e afinal o mau da fita é mesmo o outro. Este livro, ainda tinha em especial, uma série de pensamentos que eu gostaria de ter marcado para publicar aqui, sobre internet e blogs, e tudo aquilo que não são, que a pessoa não mostra e que a pessoa não é. 

6.5.12

For a mother's love is uncritical, selfless and self-sacrificing; a mother's love can forgive anything: tantrums, tears, indiference, ingratitude or cruelty. A mother's love is a black hole that swallows every criticism, absolves all blame, excuses blasphemy, theft and lies, transmuting even the vilest deed into something that is not his fault - 
Whoops! All gone!
Even murder. 

Blueeyedboy - Joanne Harris
pág.18 

27.3.12

À mesinha de cabeceira - David Nicholls

Um dia - David Nicholls (18 de Março - 24 de Março) 

A minha irmã mais velha trouxe-me este livro da última vez que esteve por Viseu (para lerem também a opinião dela é só clicarem aqui). Devo confessar, que a minha opinião é bastante semelhante à dela e por isso, não vou alongar-me muito no post, nem vou dizer tudo o que ela já disse. Vou ser sincera, e dizer-vos porque realmente gostei do livro. Como devem ter percebido (caso tenham ido ler a opinião da minha irmã) o romance é bastante simples e prevísivel*, no entanto, o livro consegue prender-nos. Ou pelo menos a mim prendeu-me, por achar que estou no mesmo pé que as persoangens principais se encontram, as minhas dúvidas, as mesmas questões... O que me tranquilizou por vários motivos. Primeiro, porque se alguém se deu ao trabalho de escrever sobre estas indecisões com a vida, é porque não é um medo meu, é um medo geral. Olhando para as pessoas na rua, na minha faixa etária (especialmente), eu agora sei, que eles também não sabem grande coisa e segundo, porque eu sei (isto eu já sabia, bastava olhar com atenção para as vidas das pessoas que se encontram à minha volta e até mesmo para o pouco que a minha já teve para dar), a minha vida não estagnou aqui, virão mudanças, oportunidades e será uma viagem em tanto. Infelizmente & felizmente, neste momento eu não posso, de forma alguma, tentar adivinhar. Terei que deixar espaço para a vida fazer a sua magia (tantas vezes amaldiçoei esta questão, da "vida" controlar mais do que queremos) e ver que caminho seguirei a seguir. 

"-Temos somente a totalidade das nossas vidas pela frente - disse ela, sonolenta, inspirando o maravilhoso cheiro morno e rançoso dele e, ao mesmo tempo, sentido uma ondulação de ansiedade percorrer-lhe os ombros, ante aquela perspectiva: a vida adulta e independente. Não se sentia uma adulta. Não estava de modo algum preparada. Era como se um alarme de incêndio tivesse disparado a meio da noite e ela estivesse no meio da rua, com uma trouxa de roupa na mão. Se não estudava, então, fazia o quê? Como havia de preencher os dias? Não fazia ideia. O segredo, disse para consigo, é ser corajosa e arrojada e fazer alguma diferença. Não era exactamente mudar o mundo, só aquela parte à sua volta. Sair para o mundo com o teu Muito Bom com Distinção em duas áreas, a tua paixão e a tua nova máquina de escrever eléctrica Smith Corona, e trabalhar no duro em... qualquer coisa. Mudar vidas por meio da arte, talvez. Escrever coisas belas. Estimar os amigos, manter-se fiel aos seus príncipios, viver apaixonada e plenamente bem. Experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se tal coisa for sequer possível. Alimentares-te como deve ser . Coisas assim. Não era grande em termos de filosofia de vida, e que se pudesse partilhar, muito menos com este homem, mas era no ela acreditava." 


* A verdade, é que perto do final, mandei uma mensagem ao Pedro a dizer que já sabia como é que tudo ia acabar.

1.2.12

à mesinha de cabeceira - Nora Roberts



A chave da luz - Nora Roberts (3 de Janeiro - 9 de Janeiro) 
A chave da coragem - Nora Roberts (10 de Janeiro - 23 de Janeiro)

Como eu sou muito distraída não li a trilogia pela ordem correcta. Não se estejam já a rir, que eu não fui a única cá em casa e além disso a culpa nem foi minha. O segundo livro (que li algures em 2011), "A chave do Saber" vinha entre tantos outros livros e sem os restantes para acompanhar, em nem tive oportunidade de me aperceber que havia um antes e um depois. E a verdade é que li os três livros sempre a achar que não ia gostar. Não, não esperem, li o primeiro livro (que era o segundo, recordo) sempre com o pensamento que não iria gostar. Levei-o até ao fim (tento sempre fazê-lo), deixou-me alguma comichão, não se tornou dos meus preferidos, nem podia dizer que não tinha gostado (mas alguma vez vou ter coragem para dizer que não gostei de ler algum livro?). Mas fiquei com vontade de saber como acabaria a história (o que só podia ser um bom sinal) e quando finalmente me emprestaram os outros dois, ataquei o primeiro com alguma vontade, mas logo me apeteceu deixa-lo de lado. Afinal de contas eu já sabia o que seu final, já sabia como acabaria o romance e a parte misteriosa da coisa. Mas havia aquela curiosidade em mim em saber como é que tinham acontecido alguns pormenores que mais tarde eram referidos no segundo livro. Acabei em tempo recorde (mesmo com alguns contratempos que já vos conto mais para baixo) e dediquei-me ao terceiro. O terceiro é o meu preferido, sempre que tinha alguma oportunidade (mesmo que fosse dez minutos em pé) lia mais umas páginas: ri, quase chorei e reflecti sobre a minha própria vida e os caminhos que já escolhi seguir até aqui (podem dizer - vocês que já são velhos de cabelos brancos - que não foram muitos, mas eu já conto algumas escolhas importantes também). Então aqui fica a minha nota positiva para esta trilogia (o bom de ler uma trilogia é que podemos acompanhar as personagens por muito mais tempo, e vocês sabem como eu sinto saudades das personagens quando um livro chega ao fim) que aconselho a todos os que gostarem de ler romances, alguma aventura e que acreditem em deuses e outros poderes. A autora é de uma escrita leve, fácil de ler em alturas de muito trabalho e stress para aliviar um bocadinho. Eu, tive que me proibir de ler à noite, demasiados pesadelos com deuses e o Kane, sim, agora vão mesmo que ter que ler para saber quem é esta personagem com quem eu sonhei.

3.1.12


Sputnik, meu amor - Haruki Murakami (25 de Dezembro de 11 - 2 de Janeiro de 12)

Ontem acabei de ler este livro que o Pedro me ofereceu no Natal, e que sempre muito atento às minhas vontades e pedidos sabia que eu queria ler qualquer coisa deste senhor, pois a Ana fala sempre muito bem dele e eu achei que valeria a pena. Confesso que ao inicio não percebi bem o porquê de tanto alarido à volta do homem, a escrita não me cativava e a história não me prendia... Depois, há a reviravolta e eu aproveitava todos os bocadinhos para poder ler mais e mais e ontem à noite eu nem consegui adormecer com a confusão que aquelas palavras me fizeram na cabeça. Para mim, ler este livro foi como ver um filme acompanhada por alguém que de dez em dez minutos me diz "Está atenta que esta parte é importante" e depois, mesmo estando eu o mais concentrada possível chego ao fim com questões e mais questões.

~
Um pequeno à parte, na segunda-feira fiz o meu primeiro post de regresso no Youth Knows no Pain e falei sobre o livro que li antes deste último "Uma oferta Irrecusável"  e estejam atentos, porque agora irei publicar todas as segundas (literatura), quartas (ilustração, história da arte) e quintas (fotografia). 

13.10.11

À mesinha de cabeceira #005 - Torey Hayden


Filhos do Abandono - Torey Hayden (10 de Outubro - 13 de Outubro)

Eu sei, é um bocadinho assustador a rapidez com que este livro me passou pela mão, a verdade é que a meio (mais para os inícios na verdade) pensei adivinhar o que realmente se passava com uma das crianças e isso, -claro que as outras duas histórias eram também igualmente cativantes- fez com que ficasse presa ao livro até que se confirmasse a minha teoria. Apesar de tentar manter sempre alguma distância, custa-me, no final, pensar que tudo aquilo foi verdade e que tudo aquilo, realmente, aconteceu. É uma situação muito triste, mas este é mais um dos livros da Torey Hayden que recomendo.

10.10.11

À mesinha de cabeceira #004 - Joanne Harris



A Praia Roubada - Joanne Harris (26 de Setembro - 7 de Outubro)

Não posso deixar de dizer que ao inicio me sentia um bocadinho "desiludida" e pouco interessada no livro ao notar que não revelava a escrita, nem o "tipo" de história a que Joanne Harris já me tinha habituado, mas quanto mais avançava na história, mais presa, mais envolvida e mais concentrada nas suas personagens me encontrava. Aconselho, e aconselho todos os outros livros (mesmo que eu ainda não tenha lido todos, sei de ante-mão) desta autora.

27.8.11

À mesinha de cabeceira - Torey Hayden.



A pedido de algumas famílias (sempre quis dizer isto no gentesentada) decidi escrever um pouco sobre os livros que vou lendo. Não sei se sou a melhor pessoa para o fazer, pois acabo por de uma maneira ou outra, gostar de tudo o que leio.



Filhos do afecto - Torey Hayden (31 Julho - 8 Agosto)

A prisão do silêncio - Torey Hayden (8 Agosto - 18 Agosto)

Uma criança em perigo - Torey Hayden (18 Agosto - 24 Agosto)



Confesso que não teria lido estes três livros, se eles não me tivessem vindo para às mãos sem eu pedir. Mas é assim que acontece com quase todos os livros que já li, alguém é simpático e empresta-me alguns dos seus livros e eu, geralmente, quero é sempre ler qualquer coisa. Já tinha lido os outros dois livros mais conhecidos da Torey Hayden, "A criança que não queria falar" e "A menina que nunca chorava" e sei, apesar de já ter sido a algum tempo e mal me lembrar das histórias que relatavam, sei que gostei. Não muito, mas gostei.



Quanto a estes três, apesar de a ordem ter sido um pouco ao calhas e não saber qual foi lançado primeiro, julgo que escolhi uma boa ordem. Gostei bastante de "Filhos do afecto", mas não o recomendaria a quase ninguém. "A prisão do silêncio" foi muito mais cativante e comovente e talvez num largo conjunto de sugestões eu até o poderia incluir, quanto a "Uma criança em perigo" não sei ao certo como não tive pesadelos com o que li. É uma história brutal, interessante e com um poder de nos agarrar ao livro. Também é por outro lado uma história que nos deixa mal dispostos, sempre que nos lembramos que isto é uma história verídica.



"Uma criança em perigo":

"Sequiosa de espaços amplos, longe da vida agitada dos grandes centros urbanos, Torey Hayden aceitou um lugar como professora de ensino especial em Pecking, uma pequena cidade americana. Nesta sua nova experiência com crianças marcadas por problemas compormentais. Torey vai encontrar Jadie, uma menina de oito anos que se julga e se comporta como um fantasma, mantendo-se sempre na mesma estranha postura, dobrada sobre si própria como se fechada num mundo de sombras e recusando-se a falar com todos aqueles que lhe são estranhos. Mas Torey, uma personalidade única,que aos seus conhecimentos profundos alia inesgostáveis reservas de criatividade e uma rara capacidade de doação, não desiste, como outros antes dela. No entanto, nada na sua experiência anterior a tinha preparado para o pesadelo de inenarráveis sofrimentos que aquela criança lhe vai desvendando à medida que ganha confiança na única pessoa que a faz sentir-se segura. Torey precisará de muita dedicação e coragem para libertar Jadia das malévolas que lhe roubaram a infância."


Ver a lista de todos os livros, aqui.

3.1.11

Jacobo viajava sentado no assento junto ao corredor da quarta fila na segunda carruagem do comboio para Lublin, naquela sexta-feira de Janeiro em que a neve caía. Pensava em tudo quanto não tinha conseguido acabar de resolver na grande cidade. Que aborrecimento! Tinha de voltar a viajar na semana seguinte. De repente, um jovem aproximou-se pelo o corredor e, ao passar junto dele, dirigiu-lhe a palavra: - Perdão, senhor, poderia dizer-me as horas? Jacobo olhou para ele de soslaio e, sem levantar a cabeça, disse-lhe: - Não. O jovem não podia acreditar no que ouvia. Já tinha visto a corrente que saía do bolso do seu colete. Não podia haver outra coisa a não ser um relógio na outra ponta dessa corrente de prata! «Devo ter sido pouco claro», pensou, e por isso repetiu o pedido, desta vez indicando com o dedo o bolso onde adivinhava que se escondia a máquina de medir o tempo. - Perdão, a única coisa que queria era que me dissesse as horas... Desta vez Jacobo olhou para ele e, um pouco agastado, disse-lhe: - Já percebi, jovem. E respondi-lhe não! O rapaz não sabia se estava mais surpreendido do que agastado ou vice-versa. De todas as maneiras, honrando ambas as coisas, insistiu: - Desculpa, senhor. Não entendo porque me está a responder dessa maneira. A única coisa que eu queria era saber as horas, como o senhor... O velho interrompeu-lhe o discurso. - Se o senhor entende ou não entende, a mim tanto me faz. A única coisa que eu quero é que me deixe tranquilo e pergunta as horas a outra pessoa. Muito obrigada e adeus. - Olhe, senhor. Eu não lhe fiz nada. Não lhe faltei ao respeito. Não deixei de ser cordial e não lhe pedi nada que pudesse significar um incomodo para si. No entanto, o senhor trata-me como se eu o pudesse contagiar com uma doença grave. Não tenciono ir-me embora até saber porque me trata desta maneira. - Bom. Está bem, está bem. Lamento. Se lhe disse as horas ir-se-á embora? - Não. Agora quero saber o que é que se passa. - Não se vai embora? - Não sem uma explicação. - Não podemos acabar com isto? - contrapôs Dom Jacobo sabendo que estava tudo estragado e que ia ter de explicar a sua estranha atitude. - Não - disse o jovem. E, deixando o seu pequeno pacote com roupa no corredor, dispôs-se a ouvi-lo. - É que eu já sei o que se vai passar... - O que é que se vai passar? - Ai, ai, ai- queixou-se Dom Jacobo, agarrando a cabeça, e depois de uma pausa, continuou: - Se eu tivesse tirado o relógio do bolso para lhe dizer as horas, o senhor teria olhado para ele com atenção, porque o relógio de bolso é muito especial, vê? E dizendo isto tirou do bolso um relógio verdadeiramente maravilhoso, com um mostrador de um fúcsia brilhante e ponteiros talhados em pedra que pareciam brilhar com luz própria. - Que lindo relógio! - exclamou o jovem, sem conseguir reprimir o seu comentário. - Vê? Vê? eu já sabia. Depois, o senhor perguntar-me-ia onde é que tinha arranjado um relógio tão especial. - A verdade é que estava a pensar nisso - admitiu o jovem. - Vê? vê? Eu já sabia. - Não percebo o que é que o preocupa tanto, senhor... - Vê? Vê? Já me está a perguntar o meu nome... que disparate! Jacobo, chamo-me Jacobo. - Continuo sem perceber a sua irritação, senhor Jacobo - disse o rapaz. - Está bem, vou explicar-lhe tudo de uma vez. Afinal, o que se segue é inevitável. Mas NÃO me interrompa... - Prometo - disse o jovem, levantando a mão em sinal de juramento. - Eu digo-lhe as horas. O senhor surpreende-se com o relógio e pergunta-me onde o arranjei. Eu acabo por lhe contar que mo deu o meu avô. O senhor agradece-me e pergunta-me o nome. Eu digo-lhe que me chamo Jacobo e não lhe pergunto como se chama, porque a mim pouco me importa como o senhor se chama. O senhor pergunta-me para onde vou, digo-lhe que ou a Lublin e não lhe pergunto para onde vai porque não gosto de fazer perguntas estúpidas, porque sei que o senhor também vai para Lublin porque o comboio acaba o seu percurso em Lublin. O senhor pergunta-me se eu vivo lá ou se estou de passagem e eu respondo que vivo lá, embora não lhe diga mais nada porque eu sei que não vive em Lublin, porque se fosse de Lublin eu já saberia. Mas, claro, o senhor chega a Lublin numa sexta-feira ao entardecer, seguramente para esperar o comboio da manhã com destino a Praga, porque para que outra coisa iria um judeu a Lublin numa sexta-feira e porque passaria alguém por Lublin se não fosse judeu. Acontece que, depois desta conversa estúpida, eu vou chegar à minha cidade para me preparar para o Sabat, mas vou ver-me obrigado a convidá-lo a si para a minha mesa, porque não poderia dormir tranquilo deixando um judeu sozinho na véspera do Sabat numa cidade que não conhece. O senhor é muito amável e, assim sendo, aceitará com prazer este convite inesperado e esta noite terei de o aguentar em minha casa, à minha mesa, e partilhar consigo a nossa comida, que a minha própria esposa cozinha com as suas duas mãos de ouro. Isso não seria assim tão mau se não fosse porque também partilhará da nossa mesa Samuel, que jogará consigo xadrez, porque que espécie de judeu seria o senhor se não soubesse jogar xadrez, e isso não seria motivo de preocupação, qualquer que fosse o desfecho da partida, se não fosse o facto da minha filha Sara também estar a presenciar tudo. E a minha filha Sara é solteira, por causa da sua desafortunada decisão de não querer aceitar casamento nenhum dos jovens solteiros de Lublin, porque os conhece desde de sempre. Isto não seria grave se não fosse o facto de o senhor ser bem-parecido e solteiro, porque não traz aliança, coisa que eu já notei, e ter uma conversa interessante e ter percorrido muito mundo, pois, senão, não se atreveria a viajar para uma cidade sem saber com quem se vai encontrar. Ela vai enamorar-se de si, o que não seria muito grave se o senhor também se enamorasse dela, porque poderia alguém conhecer a minha maravilhosa Surele sem se enamorar dela? Assim, é óbvio que na próxima sexta-feira, teremos outra vez de o receber em casa porque Surele pedir-nos-á que o convidemos, e eu já sei que, seja o que for que ela me peça, eu não lho posso negar. E tudo continuará assim durante meses até que um dia... Um dia, daqui a nada, o senhor e ela viriam dizer-me que querem casar... - Jacobo respirou pela primeira vez em todo o seu discurso e, batendo com o punho no apoio para os braços da cadeira, quase gritou: - E eu não quero que a minha única filha se case com um idiota que não tem dinheiro para comprar um relógio!! Entendido?!

Conta comigo - Jorge Bucay
pág. 47 a 50

25.8.10


- Então o que estás aqui a fazer? Vieste passar um bocado com o trolha?

Oh Roux! Que posso dizer? Que é por causa daquele lugar secreto mesmo acima da tua clavícula onde a minha testa encaixa na perfeição? Que é porque conheço, não apenas as tuas preferências, mas todos os teus recessos e meandros? Que tens um rato tatuado no ombro esquerdo, de que eu sempre fingi não gostar? Que o teu cabelo é da cor da papaia fresca e de malquereres, e que os desenhos de animais que Rosette faz me recordam tanto as coisas que fazes de madeira e pedra que às vezes até me dói olhar para ela e pensar que nunca te irá conhecer... Beijá-lo só podia agravar a situação. Por isso, beijei-o, cobri-lhe o rosto de beijos ternos e doces, tirei-lhe o gorro e despi o meu casaco, e encontrei a sua boca sentindo um alívio ardente...

Sapatos de rebuçado - Joanne harris

17.8.10

terças à tarde


É relativamente pouco conhecido o facto de, num único ano, serem enviadas a pessoas que morreram cerca de vinte milhões de cartas. As pessoas - viúvas desoladas e presumíveis herdeiros - esquecem-se de suspender o envio de correio e, por isso, as assinaturas de revistas não são canceladas, os amigos distantes não são avisados, as quotas de bibliotecas ficam por pagar. São vinte milhões de circulares, de extractos bancários, de cartões de crédito, de cartas de amor, de lixo postal, de cartões de felicitações, mexericos e contas, que caem diariamente nos tapetes de entrada ou no soalho, atirados displicentemente através de grades, enfiados em caixas de correio, acumulados em vãos de escada, abandonados nos degraus e nos vestíbulos, sem nunca chegarem às mãos dos destinatários. Os mortos não se importam. Mas o mais importante é que os vivos também não. Os vivos preocupam-se apenas com banalidades, completamente alheios a que, muito perto deles, está acontecer um milagre. Os mortos estão a voltar à vida. Sapatos de Rebuçado - Joanne Harris

5.8.10

viver todos os dias cansa


"- O sexo é o lugar mais seguro e protegido neste mundo vão, - disse-me ele enquanto nos servia as bebidas - Primeiro é simples, depois tem resultados que se sentem à flor da pele e ainda tem a bondade de nos livrar de qualquer preocupação. O tempo concentra-se num só ponto muito quente que depois se derrete e desaparece. - O sexo é uma coisa muito estranha." Pedro Paixão

23.7.10


«A morte é a mãe da beleza.» disse Henry.
«E o que é a beleza?»
«O Terror»
«Muito bem», disse Julian. «A beleza raramente é doce ou consoladora. Muito pelo contrário. A beleza genuína é sempre bastante alarmante.»
Eu olhei para Camilla, para o seu rosto radioso ao sol, e pensei naquela passagem da Ilíada de que tanto gosto, acerca de Minerva e do brilho terrível dos seus olhos. «E se a beleza é terror» disse Julian, «então, o que é o desejo? Nós pensamos que temos muitos desejos, mas na verdade temos apenas um. Qual será?»
«Viver», disse Camilla.
«Viver para sempre», disse Bunny, com o queixo anichado na palma da mão.
A história Secreta - Donna Tartt

22.7.10


«Por que é que essa vozinha obstinada dentro das nossas cabeças nos atormenta dessa maneira?» disse ele, olhando à volta da mesa. «Não será para nos recordar que estamos vivos, a nossa mortalidade, as nossas almas individuais - a que, ao fim e ao cabo, temos demasiado medo de renunciar e no entanto são o nosso maior motivo de sofrimento? Mas não é muitas vezes a dor também uma forma privilegiada de tomarmos consciência do nosso próprio eu? É uma descoberta terrível a que fazemos em crianças ao verificarmos que somos uma parte separada do resto do mundo, que nada nem ninguém dói juntamente com a nossa boca escaldada ou os joelhos esfolados, que as nossas dores e sofrimentos são só nossos. Mais terrível ainda é constatar, à medida que envelhecemos que ninguém, por mais querido que nos seja, poderá alguma vez compreender-nos verdadeiramente. Os nosso eus fazem-nos terrivelmente infelizes, e é por isso que estamos sempre tão ansiosos por os largar, não acham? Lembram-se das Erínias?»

A História secreta - Donna Tartt
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