auto-retrato

2.5.19

13 dias de 365 | project365

1/365 • 09.04.19
Ontem tive uma entrevista de emprego, pelo meio perguntaram-me se estava preparada para uma mudança tão grande. Disse que sim, sim e sim. Estou pronta, mais que pronta, aguardo só a oportunidade aparecer. Ri-me um pouco. Como não estar pronta? E que diferença realmente faz? É inevitável a mudança, pelo menos seja a tentar a fazer o nosso sonho acontecer. Tentar, falhar e tentar outra vez. Parece que agora este é o meu lema.

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2/365 • 10/04/2019
Nos últimos tempos tenho dedicado muitas horas do meu tempo livre a passar tempo na minha secretária, aquela com dois metros que insisti comigo própria que precisava para ter espaço para criar. Tinha razão, não é mesmo? Tenho criado coisas e feito experiências com diferentes materiais e em diferentes materiais, cada vez menos importada com o resultado final. Tenho arriscado com cores, com ideias, com vontades e não me lembro de me ter sentido tão livre assim em tempo algum. Percebo e quero, passar esta liberdade para a fotografia. E até lá, tenho muitas ideias a borbulhar na ponta dos dedos! Bem-dita a Páscoa que me trouxe uma horas extras só para mim!

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3/365 • 11/04/2019
Querido diário, pintei uma camisola para o verão. Estou encantada e com ideias para mais mil e prometo, que tanto quanto possível, não tornarei o projecto 365 em fotografias tiradas no meu espelho branco.

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4/365 • 12/04/2019
Fomos celebrar boas notícias com comida deliciosa.

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5/365 • 13/04/2019
O sono, interpretado pela pequena C.

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6/365 • 14/04/2019
Domingo à tarde e recebi uma mensagem que dizia assim: Ainda tens vontade de sair? Vou começar a arrumar o quarto agora e depois quando tiver pronta podíamos ir lanchar a algum sitio assim baratuxo e bom para as nossas barriguxas.

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7/365 • 15/04/2019
Olá Marinha Grande, chamo-me Marta e acho que nos vamos dar bem.

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8/365 • 16/04/2019
Se fizesse um guia para a cidade de Viseu, tenho a certeza que o @facesbar ia fazer parte.

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9/365 • 17/04/2018
Quando tentei começar um novo desafio e me esqueci no terceiro dia. Talvez quando a cabeça não andar a mil possa tentar de novo. Pelo menos o #project365 vai indo.

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10/365 • 18/04/2019
No livro Comboio nocturno para Lisboa eu li: Agora tu também te escondes por detrás dos livros, dissera-lhe a mãe, na altura em que também o filho descobrira o gosto de ler. Doera-lhe que ela visse as coisas por essa perspectiva e que não percebesse o que ele queria dizer quando falava da magia e do fulgor que certas frases boas podiam ter. Havia pessoas que liam e depois havia as outras. Era fácil distinguir se uma pessoa era leitora ou não. Não havia, entre os seres humanos, maior distinção.

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11/365 • 19/04/2019
Em fases de grandes mudanças é certo que os conselhos vão chegar em mãos cheias e numa velocidade maior do que somos capazes realmente compreender. Mantenho a calma, ou tento manter, tento ver em tantas sugestões, preocupação e carinho e não a dúvida de que serei capaz. Já sei onde comprar os melhores lençóis (e não é no continente que são difíceis de passar a ferro), como fazer o melhor arroz e que o melhor é ter sempre atum em casa. Ah! Também me lembrei que não tenho torradeira, mas também já tenho uma lista de sugestões de onde comprar! "E tem cuidado, não compres uma tão pequenina que não dá para colocar o pão!"

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12/365 • 20/04/2019
Uma tarde que começa com pinturas na varanda, passando pela esplanada no parque e acaba com um gelado (o primeiro da época) com os primos cheio de nostalgia pelo o tempo da areia.

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13/365 • 21/04/2019
Páscoa feliz? Na. Fomos comer gelados!

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1.5.19

24 de abril de 1993



Com que então hoje celebrei (no dia 24 de abril) vinte e seis primaveras, parabéns a mim 🌻 os últimos 365 dias esperavam-se difíceis e não vou mentir: foram mesmo. celebrei os vinte e cinco anos a meio de um crise de identidade, uma coisa bem pessoal que ~descobri~ muitos de nós vivemos, mais cedo ou mais tarde, uma ou várias vezes. nada estava a correr como o planeado, nem como outras pessoas tinham planeado. sentia-me a falhar. a miúda que tinha tanto para oferecer ao mundo a cair numa espécie de buraco de esquecimento: afinal, não era assim tão especial. sentia-me um pouco fora de mim, sem saber quem era, o que queria ou para que lado seguir. mas teimei que ia dar a volta por cima e aproveitei cada um desses 365 dias para aprender e descobrir o que queria dizer ser a Marta.

posso descansar-vos a todos, foi uma aventura maravilhosa. celebro este dia de sorriso nos lábios e champanhe na mão. sinto que mereço esta celebração de existência (que este ano tornei muito intimista ~ quase nem sai de mim). estou cada vez mais confortável na minha pele, sinto uma certa paz com as escolhas que fiz e tenho feito, sinto-me feliz pelo bocadinho de mim que deixo nos outros. se a vida correr mais ao menos como esperado ~ que nunca corre, já sei ~ o próximo ano espera-se cheio de dores de crescimento e confusão. já adivinho muitas lágrimas e espero muitas gargalhadas. sei que o caminho que estou a traçar me levará aonde espero chegar, porque sem grandes rodeios, eu só quero é ser feliz e estarei cá para fazer valer cada momento até ao meu próximo aniversário!

31.3.19

um novo capítulo.

auto-retrato março
3/12 auto-retratos, 2019 | com a ajuda do lupa.s e a usar o super-hiper-cachecol que fiz para mim

Confesso uma enorme dificuldade em passar este mês para palavras. Foi um mês leve, em cores de pastel, um mês com tempo para penteados, muitas saias, vestidos e ainda assim, dias em que posso sair com o meu novo cachecol preferido e respeitar o hábito de beber um galão ao lanche. Estou animada e isso é que torna díficil a escrita sobre o mesmo. Mas março, esta primavera a espreitar, sinto eu, encerrou um processo de aprendizagem que comecei há dois anos atrás. Sinto que cheguei a algumas conclusões importantes, que aprendi mais um pouco sobre quem sou, quem quero ser, como quero ser, onde quero chegar. Aprendi que tenho a força necessária, o tempo, a paciência, que quero criar e quero colocar muito do que sou naquilo que faço, ser o mais genuína possível às minhas verdades. Sinto que encerro este capítulo, que lhe chamei capítulo vinte e cinco, no pico da crise, e que começo uma nova fase. Consegui algumas respostas, outras dúvidas surgiram. Não vou negar que ainda acordo alguns dias reticente, com medo, com dúvidas, mas sei que consigo, acalmo logo a ansiedade. Sou capaz. Sei que sou forte, vou confiante, segura. Obrigada março, foste bom.  

auto-retrato março

28.3.19

uma semana de dois mil e dezanove

há umas semanas fiz o exercício de largar os instastories e usar mais a câmara fotográfica durante a semana.
isto foi o que aconteceu.

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14.3.19

sobre aquela vez em que trabalhei numa livraria


o meu filho agora é vegetariano. sim? temos bons livros de receitas, quer ver? ele também me disse que não come ovos. sim, vegan então? eu não sei qual é a diferença, confessa. também tenho alguns livros interessantes, vamos ver? saiu com dois livros, mas mais que isso a esperança de continuar a ser a protecção, de saber sempre fazer o melhor pelos que lhe são seus, por manter a ligação, por saber, que mesmo sem entender, podia continuar ali de braços abertos para o acolher. um livro, seja qual livro for, é sempre mais que um conjunto de folhas. é tantas vezes esperança.

26.2.19

o azul é temporário.

Sem título
auto-retrato 2/12, com ajuda do lupa

gosto do que fizeste com o cabelo. esse azul é bonito. isso não é azul, é verde. seja como for, o azul é temporário apresso-me a dizer. temporário é a palavra de ordem na minha cabeça. temporário. de passagem, de não ser completo. de não existir um futuro. um amor temporário, uma amizade temporária, uma pessoa temporária, um sítio temporário. temporário. não fica. tem-po-rá-ri-o. tudo em modo de passagem. em estar cá com tudo e um dia acordar e não restar nada. de um ser e deixar de ser, não ser tão importante assim. não ser a prioridade, não ser. ser memória de segundos e mais uma vez o coração partido. repito para mim que me habituo, que não preciso de ninguém, que sou sozinha e sou bem. temporário-temporário-temporário. repito e tento convencer-me a mim própria que está bem assim. encho a rotina, deixo-me dormir. prometo-me que passa. que é apenas temporário.

mas talvez, penso com esperança, talvez temporário queira apenas querer dizer livre.
livre para ser inteira por mim, para mim, só para mim. 

29.1.19

janeiro.

auto-retrato janeiro
1/12 auto-retratos, 2019

Pela primeira vez, em muito tempo, a ideia de não saber onde vou estar daqui a cinco (um) anos não me preocupa. Estou a fazer planos, delinear tarefas, traçar metas e pelo meio disso sinto-me bem. Ainda não tenho respostas para te dar quanto ao meu futuro. Acredito que nunca terei. Mas o que for, eu estarei pronta. Se não for exactamente como queria, saberei como dar a volta por cima para tirar o máximo proveito. Chegarei à Nova Zelândia, trabalharei aqui ou ali, terei uma casa assim e um estilo de vida ainda melhor, talvez até comece a comer melhor. Ou talvez não, provavelmente não. Mas é um daqueles casos em que importa mais a viagem que o destino. Estou curiosa quanto ao futuro, o que será janeiro de 2020. Bolas! O que será fevereiro de 2019. Mas é isso, curiosa. Deixei a ansiedade de lado, não tenho pressa, também estou bem aqui, no agora, e quero criar as memórias mais bonitas. A única certeza que tenho é que quando olhar para trás quero ter saudades, pois ter saudades é a prova mais sincera de que valeu a pena viver!

10.12.18

por favor, não toque no meu diário.

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Nunca soube se te incomodava o meu saltar de refeição porque gostavas de mim ou porque eras chato. Estou muito mais convencida com a segunda hipótese. Afinal, tu és chato. Agora, uma fotografia do céu durante o pôr do sol da janela da tua cozinha apenas para deixar em nota que espero (e espero mesmo) que o que venha a seguir (para ti) seja tão fantástico que nunca tenhas tempo de olhar para trás e perceber que me perdeste por tão pouco, pelos segundos que te demorava a sair da tua bolha e dizer: também tenho saudades tuas.


He had absolutely no clue as to what had happened to her. There was no enquiry he could make. She might have been vaporised, she might have committed suicide, she might have been transferred to other end of oceania: worst and likeliest of all, she might simply have changed her mind and decided to avoid him. No livro 1894 de George Orwell. E eu sou mesmo capaz de ter soltado uma pequena gargalhada ao mesmo tempo que achava desastroso que o amor seja igual em todo o lado. Não importa o espaço, as pessoas, a natureza, a distância, o sexo, a idade, o ano, a história, a situação, o absurdo, o complexo, o contexto. Amor é amor. Algo que nos enche de adrenalina e nos fode de tanta emoção. Ah, ri-me!

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Tenho acordado em dias bons & dias maus. Não sei o que os faz serem assim. Não sei porque me sinto mais ou menos feliz. Mais ou menos motivada, inspirada, pronta, eu. Assim que abro os olhos eu já consigo saber se vai ser dos bons ou maus. Percebi que não vale a pena combater o negativo, afinal eu sei toda a letra da música de Ornatos Violeta e é assim que tem que ser, também.


Celebrei os dezoito anos com uma semana de férias no Algarve. Se a memória não me falha choveu os dias todos. Desenhava muito e trazia na mala um conjunto de bilhetinhos do meu namorado para ler todos os dias. No dia dos dezoito o pequeno Tomás fez questão que houvesse um bolo para se cantar os parabéns. Se a memória não me falha foi uma daquelas tipo torta do supermercado. Que eu adoro. Assim à distância tudo soa bonito. Acho que foi mesmo, se a memória não me falha.



Tu és o meu Sol. Tu és o meu Sol. Tu. És. O. Meu. Sol. Sim, tu és o meu Sol tem que ser uma das frases feitas mais absurda e largamente usada por gentes de todas as idades. Até o meu querido Chet Faker o canta (e tu sabes que o levo a sério). Mas o Sol só não nos mata porque se encontra a uma distância de segurança. Sim, distância-de-segurança. Então... É isso que queremos? Distância e Segurança? O que procuramos no amor? Que nos aqueça mas sem que se faça sentir a chama? Olha não! Bato o pé bem forte quanto a isto. Quando eu sentir amor (quando eu voltar a sentir amor) eu quero sentir até ao fim, até arder e queimar, até reduzir a cinzas o toque anterior. Quero sentir aquele sentir de deixar marcas para sempre. Bem visíveis e palpáveis. Que se saiba que senti. Não quero mais amor-sol, quero amor-chama. Para o frio, amigo, já tenho um par de luvas.

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Este fim-de-semana voltei a fotografar. A fotografar a cidade, o espaço, as pessoas, o azul, o amarelo, o verde, o cor-de-rosa e todas as cores. Em todas as fotografias enterro e guardo memórias de emoções, conversas e gargalhadas. Acrescento mais e mais boas memórias para este ano e confirmo a certeza que a felicidade está sempre por perto e que por vezes, muitas vezes, é uma questão de paciência e calma. Melhores dias sempre virão.


Tenho medo de me esquecer de ti. Tenho um medo terrível de me esquece de ti. Tenho este medo presente pois tenho revisitado memórias antigas: de algumas pessoas não consigo recordar o rosto, a voz ou o apelido, a algumas associo nomes, mas serão mesmo os seus nomes ou está uma falsa memória a tentar compensar? Tenho medo de me esquecer de ti. Tenho um medo terrível de me esquecer de ti. Da mesma maneira que em dois mil e dez tinha medo de me esquecer que o amava. Tinha medo e por isso escrevi. Escrevi em todo o lado e muitas vezes. Tinha razão, agora já não tenho a certeza se o amei. Se alguma vez amei. Mas que o escrevi, escrevi. Escrevi tanto que espero que tenha sido verade. Tenho medo de me esquecer de ti, tenho um medo terrível de me esquecer de ti e que toda esta dor não seja justificada. Tenho medo de me esquecer de ti. Tenho um medo terrível de me esquecer de ti.


É quando me chamas de espírito-livre entre uma mistura de entusiasmo e medo que me fazes perder a máscara e sorrio sem hesitações. Não és o primeiro em que percebo uma admiração cheia de reticências mas não deixa de me surpreender que dedicar o meu tempo a fazer o que me apetece nos deixe com o coração cheio de espanto. Acrescentas um "não chorei por ti, não és o amor da minha vida" e talvez não tenhas apanhado a surpresa do meu olhar, mas ainda não achei por um segundo que essa pudesse ser uma realidade: eu, o amor da vida de alguém. oh, meu pequeno, não teria regressado aos teus braços se por um instante acreditasse que as minhas idas & vindas pudessem fazer a vida de alguém tremer. Quando à liberdade, vou continuar nesta nota.

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