vamos falar de fotografia?

1.11.16

extra, extra | vamos falar de fotografia?

Para hoje um pequeno extra nesta história de 'vamos falar de fotografia?'. Lembram-se quando falei de enquadramento que lancei um desafio? Todos os espaços têm potencial - e para melhorar os nossos enquadramentos desafio-nos a procurar um sítio que à partida não iríamos gostar e procurar pelas nossas fotografias. Eu já fiz a minha parte (e adoro fazer este desafio!). Em Setembro, durante uma semana fui ao hospital diariamente a aproveitei para fazer alguns registos. Estes mesmos registos foram espantando quem conhecia o local e até que gosto bastante de algumas. Mais, as fotografias foram todas tiradas com o telemóvel e usei o vsco para editar depois. Ou seja, não há desculpas para não fazerem o mesmo exercício também, e eu quero ver!

visitas ao hospitalvisitas ao hospital visitas ao hospitalvisitas ao hospital visitas ao hospitalvisitas ao hospital

22.10.16

retratar | vamos falar de fotografia?

Uma confissão: Preparei as ideias, os tópicos, as fotografias e tudo o que achei necessário para fazer esta publicação em meados de Agosto e agora já vamos a meio de Outubro e parece que tenho andado demasiado ocupada para organizar tudo. Esta será uma das últimas publicações do 'Vamos falar de fotografia?'. Já falei do triângulo - em que explico rapidinho o que é o ISO, a abertura e a velocidade, já falei em ilusões da fotografia - os enquadramentos e o que penso quando estou a preparar a minha fotografia e agora quero contar-vos algumas das dicas e truques que aprendi nos últimos dez anos para fotografar pessoas! O plano inicial era ter um vídeo bonitinho onde eu explicava tudo MAS ainda não consigo ouvir a minha própria voz e achar que está OK por isso, ficam umas fotografias e uns gifs pode ser?



17.9.16

ilusões | vamos falar de fotografia?

Fotografia do meu sobrinho mais velho, quando tinha nove anos e lhe ofereci uma câmara descartável.

Antes de avançarmos para o assunto que vos trago hoje quero perguntar-vos como correram as vossas experiências no manual? Já deixaram de lado o medo? A preguiça? Já reservaram uns dias só para andarem a fotografar? Como o feedback para a última publicação (o triângulo: onde falo de ISO, abertura e velocidade) foi tão positivo estou mais do que motivada para continuar e nos próximos tempos irei falar de enquadramento, retratos, fotografia analógica e muitas outras coisas que já estão planeadas. Se estão interessados, fiquem desse lado, contem-me as vossas dúvidas, partilhem as vossas sugestões. Ah, e partilhem as vossas experiências comigo. Adoro ver, estar a par e ajudar. Foi num acaso que me deparei com a publicação da Lígia no seu blog, Perder o medo do manual, em que partilha algumas das fotografias que tirou seguindo também algumas das sugestões da última publicação e não ficaram bem giras?

tweet do @pedron em relação à publicação o triângulo

Ok, em relação ao que me trouxe aqui hoje: enquadramento. Posso confessar uma coisa? Queria saltar, adiar, não-escrever-de-todo esta publicação porque não sei ao certo o que dizer. Para mim, na-minha-opinião-super-pessoal-e-nada-profissional, o enquadramento é algo muito pessoal, algo genuíno e o que melhor demonstra a maneira como vemos o mundo e acabará por nos distinguir do trabalho de outras pessoas. Acredito que quando mais sabemos mais pode prejudicar o nosso estilo e a nossa maneira MAS não daria para contornar o assunto, iria sempre saber que havia uma falha. Assim em vez de me debruçar muito sobre a teoria vou só deixar algumas dicas que poderão melhorar, bastante, as vossas fotografias.

16.8.16

o triângulo | vamos falar de fotografia?


Uma das coisas que as pessoas costumam referir quando se fala em começar a fotografar em manual: o medo de perder fotografias, momentos, registos no aparato de encontrar os valores correctos. Não posso mentir: vai acontecer. Especialmente no inicio. A informação que vou passar hoje vai ser fácil de entender, mas não ser assim tão fácil de colocar em prática sem experimentar, experimentar, experimentar. Não é assim tão grave perder um momento ou dois, em contra partida, sempre que conseguirem registar um momento será exactamente como desejaram. Por isso, o primeiro passo será deixar esse medo de lado.

E eu, deixei de lado o medo de falar de fotografia e sobre aquilo que aprendi nos últimos dez anos a fotografar com várias câmaras e em diferentes modos (sim, três: o automático, com prioridade à abertura e o temido manual). O objetivo de hoje é falar de forma simples e clara daquilo que a fotografia é para mim e das coisas que considero, neste momento, mais importantes para fotografar e me fazem não conseguir fotografar noutro modo que não o manual. Preparados?


22.5.16

o meu começo | vamos falar de fotografia?


Para além da componente sentimental, Marta põe na fotografia finalidade prática: ter sempre garantido que pode recordar o que viveu, especialmente a parte boa. As pessoas com quem se cruza e os sítios por onde deambula ficam assim eternizados, como se ficassem guardados num álbum que poderá abrir quando quiser: “o que mais inspira (mais do que luzes, pessoas, objectos, músicas e rotinas) é o medo de me esquecer, é isso que faz com que ande sempre com a máquina na mala. Este estúpido (e maravilhoso – na verdade) medo de esquecer”. Pormenores para mais tarde recordar, 2010

Achei pertinente começar esta série de publicações vamos falar de fotografia? com uma breve apresentação do meu percurso nesta área. Tenho que confessar que achei que esta seria uma publicação fácil de escrever porque já contei várias vezes e em vários momentos, mas ando com esta mensagem em rascunho há mais de uma semana... Vou começar por responder às questões que mais me fizeram ao longo dos últimos anos: quem te passou o bichinho da fotografia? quando começaste a fotografar? estudaste/estudas fotografia?

Mesmo já tendo contado esta história várias vezes houve sempre pormenores que deixei ficarem de lado. Mas hoje vou contar-vos porque acho mesmo engraçado como há coisas que fazem clique connosco. Eu não me lembro de ter nenhuma influência familiar, não me lembro de ver ninguém sempre a tirar fotografias e nem me lembro particularmente dos momentos em que alguém andava a fotografar (apesar de alguém na minha família gostar de fotografar porque eu e as minhas irmãs temos imensas fotografias de quando eramos pequeninas). Costumo dizer que comecei a fotografar com treze anos, mas verdade seja dita, até comecei um pouco antes. Lembro-me de ainda só andar no quinto ano e já pedir a câmara emprestada ao meu tio. Lembro-me, inclusive, de passar um fim-de-semana em casa da minha melhor amiga e de câmara na mão fartei-me de fotografar. A partir daí foi sempre a pedir pedir pedir uma câmara à minha mãe: sentia a necessidade de ter sempre a câmara comigo. De registar os momentos. Havia (e aceitem, vai sempre haver) momentos que não acontecem duas vezes e que não havia a oportunidade de guardar comigo. Aos meus treze anos ofereceram à minha mãe uma câmara fotográfica e eu claro, roubei-a maior parte tempo e passava o tempo todo a fotografar: queria fazer auto-retratos, queria fotografar as minhas amigas, queria fotografar a cidade e criar cenários e mundos imaginários.

2008
Aos quinze anos eu não queria ser fotógrafa, eu queria ser decoradora de interior. Aos quinze anos eu escolhi estudar Artes Visuais. Aos quinze anos recebi aquela câmara que me iria acompanhar por seis anos. Aos quinze anos morria nas aulas de desenho e geometria. Aos quinze (mais aos dezassete) tinha como disciplinas preferidas: oficina de multimédia & oficina de artes. Aos quinze anos eu usava a fotografia para exprimir tudo aquilo que queria. Aos quinze anos usava a fotografia em todos os trabalhos da escola. Aos quinze anos (e muito depois) fugia de tudo o que era a parte técnica de fotografia. 

Book Domination, uma animação em stop motion feita em grupo. | Uma fotografia sobre o silêncio, em grupo também | A minha parte da exposição sobre o racismo, área de projeto
Depois disso eu não estudei fotografia. Depois disso, na verdade, eu não estudei nada. Depois disso eu não tinha perspectivas quanto ao futuro. Depois disso eu comecei a trabalhar numa loja de fotografia, um acaso da vida. Depois disso comecei a fotografar em manual. Aprendi o que sabia por tentativa erro, mas o lado técnico ainda me assustava & aborrecia. Depois disso eu fotografei a minha primeira família. Depois fui estudar Artes Plásticas & Multimédia. Depois fotografei o meu primeiro concerto. Depois disso fui fazer o workshop da Mariana Sabido e juntei a técnica e os nomes correctos ao que tinha aprendido ao longo dos anos. Foi num desses momentos que percebi que fotografar era o que queria fazer para o resto da vida.

2009, analógico
Quanto à fotografia, acho que passa muito por querer documentar o meu dia-a-dia, as minhas experiências, as minhas vivências, o meu amor, os meus sítios, as minhas pessoas. Documentar – é mesmo a palavra certa – e guardar para além da memória, aquilo que sei que certamente irei gostar de recordar – além da fotografia, tenho aquilo a que chamo “caixinha de memórias” com uma dezena (é bem mais) de objectos que me trazem muitas memórias -, a minha fotografia são histórias que vou querer contar mais tarde aos meus filhos, quero que saibam como fui e que fui muito mais do que aquilo que eles vão ter oportunidade de conhecer. A minha fotografia é sentimentos que um dia vou querer colocar numa parede da minha casa e passa também, muito muito, por um medo de me esquecer e para assim garantir a possibilidade de uma dia, quando tiver mais de sessenta anos, me possa sentar na minha cadeira ao sol – acredito que vou sempre gostar do sol – e encher-me de boas recordações, de bons sorrisos, de boas histórias, e ter a certeza de vivi como vivi, que amei como amei. E sim, garantir, que nesse momento serei muito feliz. Isto é um estilo de fotografia? Entrevista no KTGWG, 2011
2016

2014


O que mais te inspira na tua vida e no teu dia-a-dia? É para ler sem pausas: as coisas boas, a minha família, o futuro, o medo de esquecer, os contos infantis, os álbuns de fotografia, as pessoas que conheço e as que já conheci, as memórias, as lojas pequenas, receber cartas, as histórias, Viseu, as palavras, o ter roupa nova, o mau tempo, receber presentes, as histórias, as luzes, as mensagens de bom dia do Pedro, as varandas, o escuro, padrões bonitos, as flores e os jardins, os bolos, as músicas, os pormenores, as perguntas, as surpresas, estudar, os aniversários, conhecer, as bolachas, os pés frios, os cobertores, o calor, as mãos quentes, os cachecóis, férias de verão, o meu lugar à mesa, o meu sofá preferido, mudar de casa, ferias de natal, ficar com dores nos dedos de tanto escrever, passear, tecidos, o bom tempo, os meus futuros filhos, conhecer sítios novos, ver vídeos bonitos, viajar, pensar, brincar, post-its na parede, dar presentes, os lenços, os cadernos, fazer coisas à mão, desenhar, a escola, os animais, os livros que já li e os que quero ler, o amor, o poupar dinheiro, a publicidade, outros artistas, o cinema, o teatro, o levantar cedo e o levantar tarde, a poesia, a minha rua, a minha liberdade, as coisas bonitas & claro, as coisas feias também. Entrevista no KTGWG, 2011
2015







E vou fazer estas publicações como sempre fiz tudo na vida, com muito amor, com muita dedicação, com muito de mim. Literalmente, muito de mim. Vou escrever, falar e mostrar-vos coisas que eu aprendi por mim, que alguém me ensinou, que li em algum lado. Tem a validade que tem, mas será do coração.

16.5.16

vamos falar de fotografia?

Depois da publicação do outro dia alguém desse lado? fiquei mesmo com vontade de trazer para aqui algumas das coisas que aprendi nos últimos anos. Decidi começar por uma publicação bem simples das coisas mais básicas e necessárias para começar e depois, ao longo do verão, irei trazer vídeos  de diferentes situações: fotografar à noite, pessoas & crianças, objetos, no escuro, e quais são os truques que utilizo para conseguir os resultados que quero. No entanto gostava de vos perguntar para já se há alguma coisa que gostassem de ver respondida e prometo incluir a resposta numa das publicações. Acho que vai ser mais uma nova aventura e espero contar com vocês para me acompanharem! 

p.s: relembro a quem quiser que já falei um bocadinho sobre dicas & truques na 25/52 weeks


23.6.15

25/52 weeks

1,2,3 vamos lá! Hoje eu trago uma publicação que considero ser bastante especial. Ou pelo menos, eu estou super ansiosa por começar a fazer mais publicações dentro deste género e por isso espero que vocês gostem também e me digam se é coisa para continuar ou não (que eu até tenho mais algumas coisas nos rascunhos!). Então, isto são algumas das coisas que eu tenho aprendido ao trabalhar muitas vezes com pessoas que não gostam assim tanto de fotografia, ou pelo menos não tanto quanto eu! Assim, ao longo destes anos de fotografia (e de blog, já agora, que uma coisa foi acompanhando a outra) tive a companhia e a paciência da Manuela, que ia comigo para muito lado, servindo de modelo e muitas vezes de tripé. Mais tarde veio a minha irmã (que reclama sempre muito comigo por a colocar no papel de tripé!) e agora o Luís, que tem sido uma experiência muito boa para nós como casal e como pessoas das artes (ia dizer artistas, mas tenho comichão com essa palavra). Nas questões mais relacionadas com os auto-retratos (que é o exemplo que eu trago hoje) peço sempre ajuda a um destes três para conseguir coisas mais engraçadas. Se vocês estão a pensar em começar este projecto, aconselho que arranjem alguém para fazer equipa e vão ver os resultados aparecer de forma engraçada. 




1. Avaliar o local e tirar o melhor partido deste 
É importante que o sítio que se escolhe para tirar as fotografias seja engraçado e bonitinho. Eu, pessoalmente, rendo-me sempre a jardins e sítios com corredores (corredores? assim como os que aparecem nestas fotografias e nestas) mas algo que eu fui aprendendo ao longo dos anos é que todos os sítios têm algo para nos oferecer se observarmos com atenção suficiente. O exemplo que trago hoje é um rio que é fantástico só por existir e nós costumamos frequentá-lo bastante durante o verão. Mas isso não quer dizer que não seja preciso parar para analisar o espaço antes de começar a fotografar. 
Mesmo pelo facto de ser um espaço que é por nós conhecido e até já tinha servido de cenário para este projecto (14/52 Weeks) decidimos caminhar mais um pouco e ir até a uma das margens que não costumamos usar. Acreditem ou não, até foi difícil começar. 




2. Pensar & testar planos 
Como disse antes, para este projecto (e para outras fotografias que fui fazendo ao longo do ano dentro deste género) costumo usar tripés humanos que muitas vezes não adoram fotografia, ou simplesmente não estão dentro da minha cabeça para adivinhar o que estou a pensar e como quero as coisas. Assim ao testar estes planos: comigo própria, com a outra pessoa, ou sem ninguém, para além de se perceber o que resulta ou não (por vezes pode ser difícil ter esta noção se estivermos sempre à frente da câmara), conseguimos também explicar o que se quer ou não e encontrar pontos de referência para quando volto a passar a câmara para outras mãos: postes, árvores, aquela pedra no chão... 
Com o tempo e com a confiança, as pessoas que escolho para me ajudarem, começam a sugerir e experimentar outros planos e muitas vezes resultam bem também e assim o trabalho de equipa é mais fluído. 





3. A roupa 
Pode parecer um tópico meio fútil mas eu acho que neste projecto faz algum sentido. Maior parte das vezes eu e o Luís escolhemos um dia da semana para tirar a fotografia da semana, por isso, porque não tirar cinco minutos do meu dia a escolher algo para usar? 
Por exemplo, nesta semana, já tínhamos planeado tirar as fotografias junto ao rio. Como estava algum frio e era sábado andava de calças de ganga e casaco de fato de treino... Acho que as fotografias não teriam ficado tão giras senão tivesse levado o vestido branco na mochila para trocar quando chegasse lá. 






4. Experimentar 
Experimentar muitas vezes, mas não em demasia. Se não está a correr bem, tentar de outros planos e em outros sítios. 
p.s.: se tiverem um tripé humano com vocês tentem não levar a sua paciência ao limite logo na primeira tentativa. Eu sei que nisto sou um bocadinho mais chata! 





5. É permitido muita brincadeira pelo meio 





6. Fotografar, fotografar, fotografar!
(diz que em manual os resultados são mais fieis àquilo que queremos, eu assino por baixo, mas acho que isso são conversas para outra publicação)

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